Filho de acusada de matar executivo da Friboi diz que mãe era possessiva

Carlos Eduardo Campos Magalhães, filho mais novo do casal, ressaltou o comportamento ciumento e a falta de afetividade de Giselma Carmem

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

25 Setembro 2013 | 19h13

O segundo dia de julgamento de Giselma Carmem Campos Magalhães, acusada de mandar matar o ex-marido e diretor-executivo da Friboi, Humberto Magalhães, em 2008, teve o depoimento mais esperado pelo júri - o do filho mais novo do casal, Carlos Eduardo Campos Magalhães.

Última de cinco testemunhas de acusação, Carlos Eduardo depôs contra a própria mãe no Fórum Criminal da Barra Funda ontem. Durante as mais de três horas em que foi inquirido pela Promotoria, ele relatou casos que mostravam a falta de afetividade da mãe com ele e o comportamento extremamente ciumento dela com o marido. "A vida dela sempre foi em função do meu pai. Ela não se importava com outros assuntos", disse.

Num dos casos, Carlos Eduardo disse que era raro que Giselma o buscasse no colégio quando criança e, por isso, ele começou a voltar sempre com a mesma taxista para casa. Giselma, então, pediu para ser apresentado à taxista e, em seguida, a contratou para seguir o marido. "Ela era muito possessiva. Se referia às mulheres que se aproximavam do meu pai como vagabundas, piranhas, e com mais palavras de baixo calão."

Carlos Eduardo, que diz ter parado de chamar Giselma de mãe após as investigações da Polícia a apontarem como culpada pelo crime, também contou que a mãe o obrigava a ligar para a empresa na qual o pai trabalhava para perguntar que horas ele teria chegado e se havia chegado acompanhado. "Ela sempre criava situações para tentar manipular a minha relação com o meu pai."

De frente para a mãe no plenário, o filho afirmou que a única forma de voltar a ter um mínimo de respeito por ela é se assumisse o crime, sob juramento. "Quando a visitei no presídio, ela nunca tentou se defender do crime."

Celular. De acordo com o Ministério Público, Humberto Magalhães foi atraído para o local onde foi morto por um telefonema que partiu do celular de Carlos Eduardo. Conforme a denúncia, Giselma pegou o celular do filho e o entregou ao irmão, Kairon Vaufer Alves, que ligou a Humberto dizendo que Carlos Eduardo estava passando mal. Ao correr para o endereço indicado, Humberto foi alvejado por dois tiros que partiram de um motoqueiro - contratado por Kairon.

"Giselma tentou jogar a culpa (do assassinato) para cima de mim no início", afirmou Carlos Eduardo. Segundo ele, a mãe o proibiu de tentar falar com o pai no dia do crime, alegando que estaria resolvendo assuntos importantes com ele. Da mesma forma, o proibiu de atender a telefonemas do pai. Na hora em que foi depor à polícia, Giselma insistiu para que o filho não citasse esse ponto, porque poderia incriminá-la.

Kairon também está sendo julgado, junto à irmã. Ele está preso preventivamente, enquanto Giselma responde em liberdade. Das cinco testemunhas que depuseram, o primeiro era morador da rua em que aconteceu o crime, o segundo era o delegado que investigou o caso, a terceiro a mulher que vivia com Humberto na época do crime - e relatou que Giselma a ameaçava pelo telefone -, e o quarto era investigador de polícia.

Entenda. A denúncia do Ministério Público diz que Giselma planejou a morte do ex-marido junto com seu irmão por parte de mãe, Kairon Vaufer Alves, que confessou ter participado da morte. Kairon contratou dois homens para tirar a vida de Humberto e, na noite de 4 de dezembro de 2008, o empresário foi executado com dois tiros perto de sua casa, no bairro Vila Leopoldina. O motoqueiro Paulo dos Santos e o mandante Osmar Gonzaga Lima já foram julgados e condenados a 20 anos de prisão cada um.

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