Filas e bombas marcam show do Franz Ferdinand

Banda indie fez apresentação fulminante, mas público enfrentou tumulto e espera em festival gratuito no Parque da Independência

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

27 Maio 2012 | 20h33

A fila serpenteava em volta do Parque da Independência, na zona sul da capital, quando os escoceses do Franz Ferdinand subiram ao palco, neste domingo, 27, para mostrar clássicos do indie contemporâneo. A banda fez uma apresentação gratuita para fãs e também muitas famílias. Para controlar o público que tentou furar a longa fila, a Polícia Militar usou bombas de efeito moral.

Como o último show da banda no País, em 2010, a apresentação no 16.º Cultura Inglesa Festival foi fulminante, direcionada pela cativante pulsação de dance rock pelo qual a banda é conhecida. No You Girls, tocada logo no início do set, mostrou que, depois de anos de sucesso, Alex Kapranos e seus companheiros não perderam a mão e que se pode apostar no novo disco da banda, anunciado ainda para este ano.

Abrindo para o Franz Ferdinand, os ingleses do The Horrors, a banda cult mais incensada de Londres no momento, fizeram apresentação sólida. Ao centro do parque, suas canções queimavam em fogo brando, mesclando vertentes díspares de rock, do new wave ao punk de garagem ao alternativo noventista, beirando, em algumas canções, o casamento de rock com eletrônico de Primal Scream.

Cabeludos, vestidos de jaquetões de couro, eles representam, não em termos de som, mas de atitude, um híbrido de Ramones e The Smiths para o público indie internacional: efervescência e angústia adolescente condensada em guitarras ferozes e vocais pensativos. Na Inglaterra, os fãs levaram o último disco da banda, Skying, para entre os dez primeiros das paradas de sucesso do ano passado.

Confusão. A expectativa de público para o festival era de 18 mil pessoas, embora às 18 horas era provável que a plateia do Parque da Independência não atingisse essa marca, de acordo com a organização do evento.

Mesmo com um número abaixo do esperado, havia confusão na entrada principal. Uma fila quilométrica se esticava ao redor da Praça do Monumento e, entre o muro e a grade, estruturava-se uma espécie de experiência sociológica com o público que respeitava a fila e o que a ignorava completamente, passando livre pelo largo espaço entre o muro do festival e o alambrado que afastava o trânsito.

"Fiquei na fila porque acredito que o Brasil vai melhorar algum dia", disse Pedro Cintra, fã do Franz Ferdinand, que aguardava paciente. Já outra espectadora não pensou desse modo: "Estou com os meus filhos, não vou ficar duas horas em uma fila", disse.

A reportagem avistou pelo menos um espectador pulando a grade do parque. Outros tentavam. E uma fatia considerável se conformava com a ideia de ficar de fora e montava acampamento do outro lado da rua, sentava na ladeira, com vista de longe para o palco. Perto da entrada, a fila dos "certinhos" encontrava a dos praticantes do "jeitinho" e um afunilamento a sucedia. A revista da Polícia Militar era lenta, pela quantidade de pessoas com mochilas e o fato de cervejas e outras bebidas alcoólicas serem proibidas no parque.

Foi a maior edição do Cultura Inglesa Festival. Laerte Mello, coordenador do evento, afirmou que o evento estava preparado. "No ano passado, a expectativa era de 12 mil. Neste ano foi de 18 mil", disse. Quais medidas foram tomadas para receber o público maior? "Aumentamos o policiamento, o número de bombeiros e ambulâncias. Deslocamos todos os PMs para a revista, afim de torná-la mais eficiente", contou Mello.

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