Festeiros pagam por previsão 'vip' de tempo

Meteorologia personalizada ajuda na hora de organizar casamentos e outros eventos

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

08 Julho 2012 | 03h04

Organizar festas ao ar livre está na moda, mas o sucesso da celebração depende muito do tempo. Na tentativa de garantir o cenário certo - noite com céu de brigadeiro e dia ensolarado -, noivas, aniversariantes e festeiros em geral estão apelando para uma estratégia especializada, antes só utilizada por empresas: o serviço personalizado de meteorologia, mais específico que os publicados em jornais, sites e canais de televisão.

A nutricionista Andrea Santa Rosa, mãe de Pedro, de 9 anos, Nina, de 7, e Felipe, de 3, já chegou a trocar a data da mesma festa duas vezes. Isso porque, cinco dias antes de despachar os convites, recebeu o boletim de que na data escolhida choveria. "Prefiro comemorar o aniversário das crianças na minha casa. Os convidados ficam mais à vontade. Organizo um cardápio orgânico, mais saudável e gostoso que o dos bufês", diz Andrea, que mora numa casa na zona sul do Rio com o marido, o ator Marcio Garcia. "E as crianças se divertem nos brinquedos que ficam espalhados pelo jardim."

O serviço personalizado que dá informações específicas para o local escolhido não se resume a um boletim. "Se a previsão for solicitada com 15 dias de antecedência, por exemplo, a empresa começa a enviar relatórios diários com as previsões para a data do evento", diz Carlo Magno, sócio da Climatempo, uma das empresas com esse tipo de serviço. "Um meteorologista ainda fica à disposição para tirar dúvidas em tempo integral." Para se ter uma ideia do custo, um boletim emitido dez dias antes do evento sai em média R$ 140. Trinta dias é o tempo máximo de antecedência para previsão.

Noivas. Na Somar Meteorologia, as noivas são clientes assíduas. "A maioria quer casar em dezembro, mês muito chuvoso", explica Patrícia Vieira, técnica em meteorologia. "Mesmo quando é certeza de chuva, assinam o boletim personalizado na esperança de que o tempo possa mudar a favor delas na véspera." Outras querem avaliar melhor a estrutura para a festa.

A produtora de cinema Ana Luiza Garritano, de 31 anos, contratou o serviço VIP de meteorologia um mês antes de casar na fazenda da família em Amparo, no interior de São Paulo. "Não queria gastar à toa com o aluguel de tendas. E, se elas fossem necessárias, precisava saber se seriam suficientes para a quantidade de chuva que poderia cair." O boletim informa a hora da chuva, a velocidade do vento, a temperatura e até se haverá ou não nuvens durante a festa. A previsão era de dia ensolarado. Ana não alugou as tendas e se deu bem.

O pai dela, Claudio Borja, não confiou tão cegamente no serviço especial de meteorologia. Apesar de receber informações de tempo bom para o dia da festa de 60 anos em um sítio em Presidente Lucena, no Rio Grande do Sul, ele deixou reservado um salão nas proximidades caso tudo saísse errado. Mas não precisou usá-lo. "Um boletim emitido 15 dias antes tem 85% de chance de acertar. A margem sobe para 95% a cinco dias da data", diz André Madeira, meteorologista da Climatempo.

Mesmo que pequenas, as chances de erro existem. Três dias antes de casar - e com o boletim que não choveria na hora do casamento no Moinho Santo Antônio, na zona leste -, a empresária Andrea Vieira Rocha, de 27 anos, dispensou as tendas. "Duas horas antes da cerimônia, choveu forte e rápido", conta. "As mesas, já decoradas, ficaram molhadas. Por sorte, durante a festa não caiu uma gota."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.