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Moradores reclamam de festa ilegal dentro da Unicamp

Desde 2014, eventos sem aval da reitoria estão proibidos; grupo não seria da comunidade acadêmica

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

09 Janeiro 2017 | 17h49

Uma festa com bebida alcoólica, música alta em carros de som e até “rachas” de moto foi feita em uma praça dentro da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na madrugada de domingo, 8. Vizinhos reclamam que o evento aconteceu até por volta das 6 horas e há relatos de assaltos e pessoas feridas. A Polícia Militar foi chamada mas, segundo os moradores, não foi ao local.

Fotos do evento foram divulgadas nas redes sociais. Ainda não se sabe quem organizou a festa. Desde 2014, essas aglomerações, sem autorização do Conselho Universitário, estão proibidas na Unicamp por decisão judicial. Em 2013, um estudante foi morto em um evento. 

A professora Carmen Silvia Bertuzzo, da Faculdade de Ciências Médicas, que mora perto da universidade há 23 anos, diz que já havia uma aglomeração de jovens por volta das 20 horas de sábado na Praça da Paz, onde começou o evento. Um segurança disse a ela que haveria uma festa ali, mas que policiais afugentaram os jovens. Mesmo assim, o evento aconteceu. “A minha rua e outras travessas estavam lotadas de carro. Moro a dois quarteirões da praça e se ouvia música assim mesmo. A gente esperava que logo acabasse e pronto, mas por volta das 4 horas começou uma briga, barulho de pneu de carro”, conta. A professora disse que foi à praça e viu que havia “motos empinando e carros passando a toda velocidade”. De acordo com ela, a polícia foi acionada, mas teria afirmado que não poderia agir por se tratar de área da Unicamp. 

A professora publicou sua indignação no Facebook. Estudantes comentaram a publicação e disseram que a iniciativa é de gente de fora da comunidade da Unicamp, pois a maioria dos alunos está de férias.

A Unicamp, em nota, também ressaltou o período de férias e disse que está apurando o caso. Já a Polícia Militar esclareceu que o local onde a festa foi feita recebe segurança particular da própria universidade.

Proibição. A decisão que proíbe festas na Unicamp resulta de uma ação civil pública ajuizada em 2010 pelo Ministério Público Estadual (MPE), com base em eventos da época, caracterizados pelo “uso irregular do solo urbano, poluição sonora e incômodos aos moradores”. A multa por não obedecer à determinação é de R$ 50 mil. Em 2013, o aluno Denis Papa Casagrande, de 21 anos, foi assassinado em uma festa clandestina.

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