Festa de Brasília terá catedral e palácio em obras

Reforma de templo será concluída em junho, dois meses após os 50 anos da cidade; instabilidade política esvaziou comemoração

Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2010 | 00h00

BRASÍLIA

Brasília nasceu como um canteiro de obras, e assim comemorará os seus 50 anos. A Catedral e o Palácio do Planalto, dois dos principais cartões-postais da cidade que passam por restauração, ainda vão estar em reforma no próximo dia 21.

A Catedral deve ficar fechada ao público, informa o monsenhor Marcony Vinícius Ferreira, pároco da igreja há 14 anos. "Já é tradição a Catedral estar fechada no dia 21, por causa do excesso de gente, bêbados e drogados, sem o espírito de visitação a uma igreja. Os turistas até reclamavam", comenta. A primeira missa deve ocorrer no dia seguinte, com ajustes externos de acabamento sendo feitos.

Segundo a Secretaria de Obras do DF, o cronograma está sendo respeitado e a reforma deve ser concluída em junho. O gasto é de R$ 25 milhões. O projeto de restauração é amplo: os vidros externos e os vitrais serão substituídos, os cabos de aço que prendem três anjos ao teto serão trocados e o espaço do subsolo será aumentado, com a ampliação da área da sacristia e do batistério. Os sinos serão acionados eletronicamente.

Planalto. A previsão inicial era de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornasse ao Planalto na celebração do cinquentenário - atualmente, ele despacha no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Esta é a primeira reforma estrutural do palácio desde a sua inauguração, em 1960. Iniciada em março de 2009, já consumiu R$ 96 milhões, de acordo com o governo.

O prédio ainda precisa receber a instalação dos sistemas de telefonia, informática e a parte elétrica. Numa ocasião, em uma conversa com o arquiteto Oscar Niemeyer, Lula reclamou que o local parecia uma "favela", com infiltrações, rachaduras, puxadinhos e fios soltos.

Programação. A instabilidade política no Distrito Federal, que levou a três nomes diferentes ao cargo de governador em duas semanas, fez com que a programação artística da festa dos 50 anos de Brasília fosse enxugada.

Falou-se em atrações internacionais, como Paul McCartney, Madonna e Shakira, mas nenhum deles virá. O nome de Roberto Carlos foi cogitado, mas o empresário Dodi Sirena, em entrevista ao Estado, disse que eram remotas as chances de o cantor aceitar o convite. "É uma honra celebrar os 50 anos da capital, mas, por outro lado, o Brasil inteiro está indignado com essa situação", comentou.

O comitê executivo do cinquentenário era presidido pelo então vice-governador Paulo Octávio, que assumiu o governo após o afastamento de José Roberto Arruda (ambos ex-DEM, sem partido), preso desde 11 de fevereiro. Os dois são acusados de envolvimento no chamado "mensalão do DEM".

Agora, o roteiro privilegia atrações locais e nomes do cenário nacional, como a banda Paralamas do Sucesso e os cantores Nando Reis, Daniela Mercury, Zélia Duncan e Milton Nascimento.

A catedral por dentro

As formas projetadas por Oscar Niemeyer transformaram a Catedral Metropolitana de Brasília em referência internacional, com destaque para as quatro esculturas de evangelistas, do artista Alfredo Ceschiatti. Inaugurado em 31 maio de 1970, o monumento tem 40 metros de altura e 16 arcos de concreto que contornam o espelho d"água.

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