Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Blocos de carnaval reúnem multidão na Avenida 23 de Maio em São Paulo

Pela primeira vez, via que liga a zona sul ao Centro da capital vai ser palco da folia; bloqueios serão entre o Complexo Viário Jorge Saad e a Praça da Bandeira, de domingo a terça-feira

Paula Felix e Marcela Paes, O Estado de S.Paulo

11 Fevereiro 2018 | 11h30
Atualizado 11 Fevereiro 2018 | 22h54

Desta vez, o congestionamento não foi de carros: uma multidão fez a festa desde a manhã até a noite deste domingo, 11, na Avenida 23 de Maio, corredor que liga a zona sul ao centro de São Paulo. A estreia da via como nova passarela da folia de rua da cidade mereceu elogios dos foliões, que se divertiram principalmente ao som de músicas que marcaram as décadas de 1990 e 2000. Segundo Prefeitura, 1,2 milhão de foliões passaram pela 23 ao longo do dia - superando a expectativa de 500 mil. 

A área recebeu grande estrutura, com dezenas de vendedores credenciados, posto médico e banheiros químicos. Apesar disso, muitos fizeram xixi nas ruas, ato agora passível de multa de R$ 500. E a fiscalização não coube só à Prefeitura. Vários foliões que tentaram usar canteiros das vielas paralelas à 23 como banheiro foram repreendidos por outros frequentadores da festa.

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O primeiro dos quatro blocos a passar pela avenida foi o Domingo Ela Não Vai, que tocou sucessos do axé e teve a participação de MC Loma, das Gêmeas Lacração (celebridades da internet) e da bateria da Vai-Vai. Um dos fundadores do bloco, Alberto Pereira Júnior diz que o cortejo na 23 foi uma aposta para este ano. “Desfilamos no Anhangabaú em 2017 e, para sair do Vale até a República (no centro), as ruas eram muito estreitas. A gente pensou na segurança e no conforto.”

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O comportamento dos foliões refletia a proposta. Muitos usavam celular para tirar fotos e se comunicar com amigos e, embora houvesse muita gente ao redor dos trios, era possível encontrar espaços para conversar e recuperar o fôlego. “Estou achando organizado e com policiamento. Não vi conflitos nem roubo. Está tranquilo”, elogiou a editora de vídeo Camilla Coutinho, de 33 anos. Outro detalhe também chamou sua atenção: “Gostei das árvores. A gente consegue se proteger do sol.”

O esquema de segurança contava com policiais militares e agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM), que estavam no entorno da avenida e na área de passagem dos blocos. Ambulâncias acompanhavam o cortejo e, ao socorrer quem passou mal, rapidamente conseguiam passar pela multidão. A animação era tanta que foliões começavam a pular e gritar no mesmo ritmo da sirene.

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Como em outros blocos, não faltou criatividade para os adereços. O maquiador Victor Hugo Santana, de 26 anos, atraiu olhares por onde passou por causa da fantasia de Tritão (deus da mitologia grega) que produziu para acompanhar a festa. “Coloquei toda a pedraria na coroa e demorei meia hora para fazer a maquiagem.” Sobre o espaço, ele elogia. “Os banheiros são de fácil acesso e achei melhor do que outros blocos.”

Rouge. Os desfiles na 23, que incluíram os blocos Vou de Táxi e Desmanche, terminaram com a apresentação do bloco Chá Rouge, que atraiu um grupo bem diferente e uma lotação ainda maior. O público mais parecia uma reunião do fã-clube da banda pop, que fez sucesso anos 2000 e anunciou retorno no ano passado. “Fui ao ensaio do bloco e agora estou aqui. Não ia perder”, afirma Henrique da Silva, assistente de recursos humanos, de 31 anos.

O calor e a lotação fizeram muitos fãs passarem mal. Bombeiros que faziam atendimento foram ajudados por produtores do grupo. E foliões também carregavam meninas desmaiadas para fora da aglomeração.

Largo da Batata troca o samba pelo baile funk

O Largo da Batata foi um ponto fora da curva na relativa calma que pôde ser observada nos blocos de Pinheiros e Vila Madalena, na zona oeste, que saíram sábado e domingo. Nos dois dias, a festa lá não tinha nada de muito carnavalesca e lembrava mais a muvuca da Copa do Mundo de 2014. No lugar do samba e das marchinhas, o som era de funk. E o consumo de álcool deixava “vítimas” vomitando pelo largo.

Outra constatação: embora sem nenhum bloquinho, o cruzamento da Rua Fradique Coutinho com a Aspicuelta transformou-se em um ponto de concentração carnavalesca. Gente que brincou nos blocos do bairro veio tomar o último (ou o primeiro) chope na esquina, ao som dos próprios bares e com fantasias já um pouco desmilinguidas. 

"Eu estava aqui durante a Copa de 2014. Tinha mais gente, mas o espírito é o mesmo. Naquela época tinha um monte de gringo ‘chaveirinho’. Hoje, já cruzei com dois. Os caras vem para cá (Brasil) achando que é bagunça", comenta a arquiteta Julia Lamares, de 28 anos. 

 

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