Fãs de Chaves lotam festival

Mais de 5 mil pessoas compareceram ao Mart Center, na zona norte, que recebeu os atores mexicanos que interpretam o Quico e o Sr. Barriga

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

26 Abril 2010 | 00h00

Multidão. Disputa para ver os atores Carlos Villagrán e Edgard Vivár, e assistir a um concurso de fantasia com trajes dos personagens; sobraram queixas para a ‘desorganização’

 

  Cento e trinta e duas pessoas estão à frente da auxiliar administrativa Elizeth Dalva Moreira, de 34 anos, na fila para comprar o tíquete que vale um cachorro quente no galpão lotado de fãs do seriado Chaves. O pão com salsicha custa R$ 5. Elizeth Dalva está indignada. "Olha o preço!"

De acordo com os organizadores do 2.º Festival da Boa Vizinhança, mais de 5 mil pessoas estiveram sábado no Mart Center , na Vila Guilherme (zona norte de São Paulo), para prestigiar a comédia popular mexicana que o SBT começou a apresentar na TV quase "sem querer, querendo" ? veio como brinde, com um lote de novelas, em 1984.

Todos querem ver de perto os atores Carlos Villagrán e Edgar Vivár, que interpretam respectivamente Quico e Sr. Barriga, e assistir a um concurso de fantasias com trajes dos personagens. Elizeth Dalva, que mora na Penha (zona leste), conta que pagou R$ 25 de ingresso, mais R$ 15 de táxi ("porque a van que a "desorganização" disponibilizou para pegar os fãs no Terminal Rodoviário Tietê chegou tarde e estava lotada") e não conseguiu ver nem ouvir nada. "Eu não consigo chegar perto do palco nesse empurra-empurra", diz ela, cujo nome é uma homenagem a Elizeth Cardoso e Dalva de Oliveira.

Por enquanto, o festival se resume a um mundaréu de gente falando alto em um galpão abafado, com um palco cheio de imitadores anônimos. "O que vale é a emoção das pessoas", acha a estudante Jô Macedo, de 20 anos, que está de pé em cima de uma cadeira de plástico branco. "Sentaaaa!", gritam pra Jô.

Ao lado da réplica menorzinha da vila onde se passa a história, o hoteleiro Jorge Leonardo Martins, de 29 anos, reclama da invasão do público. "Achei que houvesse alguém orientando."

"Gentalha". Edgar Vivár entra. Gritaria geral. Sr.Barriga canta, interage, bagunça e sai. Intervalo. Carlos Villagrán/Quico entra e faz a mesma coisa. Agora, é Seu Madruga, cujo intérprete já morreu: no concurso de fantasias, O estudante José Roberto Martinez, que veio de São Carlos em uma caravana, é eleito o melhor. Ganha um kit do seriado.

Vários Chaves passam em todas as direções. O catarinense Filipe Chambon, de 16 anos, conta que "investiu" R$ 100 na roupa. "Tenho dificuldade de entrevistá-los (os imitadores), porque eles não saem do personagem", afirma o apresentador Fernando Muylaert, do programa da Eliana, ele mesmo de Chapolin Colorado, dentro de um macaquinho-colant vermelho com duas anteninhas de mola na cabeça.

Comediantes involuntários não faltam. Mattheus Grop, de 20 anos, aparece no balcão de credenciamento com um adesivo amarelo no peito, onde se lê "imprensa"; pergunta onde é a entrada de jornalistas. Uma assessora indica, antes de se dar conta de que aquilo não é o padrão de credencial. Vai atrás dele.

Mattheus ("os dois t são por causa de numerologia") diz com uma vozinha sumida que comprou a "credencial" por R$ 50. A assessora retira o adesivo, rindo. Logo depois, ele descobre que não era necessário credencial para passar pela "desorganização". Entra, mas logo sai. "Que zona tá isso aqui. Quero ir embora!"

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