Família se reúne no meio da multidão

A empregada Adriana da Silva Faria, de 38 anos, vagava desde a tarde quinta-feira nos arredores do Morro do Bumba. Com lágrimas nos olhos, ela perguntava para funcionários da Defesa Civil a respeito dos últimos corpos encontrados. Ela queria notícias sobre o filho, o entregador de jornais Bruno Faria, de 20 anos, e da nora, Érica Ribeiro, de 21, grávida de seis meses. O casal morava há um ano na favela varrida pelo deslizamento.

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2010 | 00h00

No início da tarde de ontem, ela achou que a ansiedade havia se transformado em alucinação ao ver o casal na multidão de parentes, curiosos e jornalistas. "Eles estavam ali e olhavam as máquinas revirando a terra. Não acreditei. Eu tive de tocar neles. O alívio é enorme", disse.

O casal contou que as rachaduras em casa vinham aumentando desde segunda-feira. Na quarta-feira, algumas horas antes da tragédia, eles acharam que a situação estava impraticável. "A sala estava toda rachada. Resolvemos ir embora e ainda passamos na casa de um casal amigo nosso, que também nos acompanhou. Acho que foi sorte", contou Érica.

Os dois foram para a casa dos pais de Érica, no bairro da Engenhoca, em Niterói. Eles ficaram sabendo do deslizamento do Morro do Bumba apenas no dia seguinte.

Desde então, o casal tentava localizar Adriana, que não tem celular e mora em Jardim Amendoeira, em Alcântara, distrito pobre da cidade de São Gonçalo.

A alegria discreta de Adriana chamou a atenção dos jornalistas e parentes de outras vítimas, que também se emocionaram com o encontro ao acaso. Após incontáveis abraços e longas entrevistas, os três foram embora juntos. /

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