Família faz de casarão um centro cultural

Espaço já foi palco de 50 peças teatrais, além de aulas de ioga e saraus

Filipe Vilicic, O Estado de S.Paulo

24 Abril 2010 | 00h00

Quando o ator Paulo Goya olha as paredes deterioradas do casarão de número 267 da Rua Pedroso, na Bela Vista, vê vitrais e armários da década de 1920. A imagem na sua cabeça é resquício de quando no terreno moravam os bisavós, ricos imigrantes franceses, e o avô, formado em Medicina, respectivamente nos séculos 19 e 20. Mas a quarta geração da família, a qual Goya pertence, recebeu a residência em estado muito diferente, algo no ritmo da canção: "Era uma casa/ muito engraçada/ não tinha teto/ não tinha nada."

"Meus primos depenaram nosso patrimônio", reclama o ator. "Venderam até as portas de carvalho."

A família resolveu "depenar" o lugar porque queria comercializá-lo. Entretanto, em 2002, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade (Conpresp) tombou a casa. "Agora, não podemos mexer na estrutura", diz. "Isso afastou os compradores."

Cultura. O resultado é um elefante branco na mão da família. "Em 2003, então, decidimos dar uma finalidade ao lugar, para levantar dinheiro para restaurá-lo", lembra Goya. Um ano depois, ele se mudou para o endereço para liderar os projetos e construir um centro cultural. Essa é a origem do Espaço Cultural Dona Julieta Sohn (o nome homenageia a avó do ator), mais conhecido como Casarão do Belvedere.

Lá foram feitas cerca de 50 apresentações teatrais. O centro tem aulas de ioga e saraus, desde sábado passado. Há planos para exposições, oficinas e uma biblioteca, que disponibilizará o acervo de 5 mil livros da família Sohn.

"Já investi R$ 150 mil na restauração", diz. "O que me revolta é que o governo tomba o imóvel, mas não dá auxílio para preservar e dar uma função de utilidade pública ao lugar. Temos de nos virar."

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