Falta de extintores e hidrantes amplia risco em túneis de São Paulo

Até mangueiras de hidrantes são furtadas e Prefeitura de SP não consegue fazer a reposição

Fabiano Nunes, de O Estado de S. Paulo,

09 Dezembro 2011 | 22h51

SÃO PAULO - A segurança nos principais túneis de São Paulo está comprometida. A reportagem visitou 11 passagens subterrâneas da capital e todas apresentam falta de extintor ou de hidrantes. No ano passado, o Ministério Público abriu inquérito para averiguar a ausência desses equipamentos e iluminação nos túneis. Mesmo assim, as falhas de segurança persistem.

Uma instrução técnica do Corpo de Bombeiros, definida em lei de 2001, determina que túneis com extensão acima de 200 metros devem ter extintores portáteis, rotas de fuga, saídas de emergência e sistema de proteção por hidrantes. Dos 11 túneis visitados pela reportagem, três - Anhangabaú, 9 de Julho e Ligação Leste-Oeste - não têm nenhum equipamento.

O engenheiro Anthony Brow, coordenador da comissão especial de estudo sobre segurança em túneis da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), diz que há um risco gravíssimo na segurança quando o túnel não tem esses itens. “Os sistemas de combate a incêndio e de ventilação precisam estar funcionando 100%. Mas a Prefeitura não trabalha na prevenção, só corrige falhas e danos.”

De acordo com o Ministério Público, o Corpo de Bombeiros deve fazer uma nova vistoria em todos os túneis da capital nas próximas semanas. A ação do MP fez a Prefeitura instalar novos extintores nas principais passagens subterrâneas desde agosto, mas os equipamentos continuam sendo furtados. Nos Túneis Max Feffer e Fernando Vieira de Mello, o espaço para esses equipamentos já está vazio.

As mangueiras de hidrante também foram furtadas em todos os túneis. “Caímos em um nível de degradação social que leva uma pessoa a furtar um item essencial de segurança”, afirma o engenheiro Tarcísio Barreto Celestino, consultor do Comitê Brasileiro de Túneis. Para o advogado Mauricio Januzzi, presidente da Comissão de Trânsito da OAB-SP, a manutenção nos túneis é prejudicada pela demora no processo de licitação. “Quando um extintor é furtado, a Prefeitura tem de abrir uma nova licitação e isso leva tempo.”

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