Rafhaela Martins/@rafhitchous/Reprodução
Rafhaela Martins/@rafhitchous/Reprodução

Falta de energia no metrô faz passageiros usarem os trilhos; 18 mil foram afetados

A Linha 4-Amarela chegou a ficar totalmente paralisada; usuários de uma composição acionaram botão de emergência para abrir portas

Caio do Valle, Fabiana Cambricoli, Mônica Reolom e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

19 Janeiro 2015 | 20h53

SÃO PAULO - O apagão que atingiu parte do Brasil afetou o funcionamento da Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo por duas horas, na tarde desta segunda-feira, 19. De acordo com a ViaQuatro, concessionária que opera o ramal, 18 mil pessoas foram afetadas. A linha chegou a ficar totalmente paralisada por 15 minutos. Duas estações foram fechadas. Passageiros de uma das composições tiveram de acionar o botão de emergência para abrir as portas e utilizar a passarela ao lado dos trilhos para chegar à próxima estação.

Uma falha no sistema de alimentação elétrica fez a linha operar com velocidade reduzida a partir das 14h35. Dez minutos depois, afirma a ViaQuatro, toda a circulação da linha, da Luz (região central) até o Butantã (zona oeste) foi interrompida, situação que durou 15 minutos. Às 15h, as Estações Luz e República foram fechadas e o ramal voltou a operar somente no trecho entre Paulista e Butantã.

A situação provocou caos no sistema, principalmente para os passageiros que estavam entre as duas estações fechadas.
Segundo a estudante Rafhaela Martins Pereira, de 18 anos, pouco antes das 15h, o trem em que ela estava ficou parado por 30 minutos no túnel entre as Estações Luz e República. “Estava muito cheio e o ar-condicionado não funcionava. Tinha muita gente passando mal. Teve uma hora que o pessoal ficou revoltado, começou a xingar e a bater nos vidros. Foi nessa hora que alguns passageiros acionaram o botão de emergência para abrir as portas e saíram andando ao lado dos trilhos”, conta ela, que seguia para Pinheiros para acessar a Linha 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Não houve registro de feridos nem de patrimônio danificado.

Às 19h de ontem, Rafhaela ainda tentava chegar em casa, no bairro de Parelheiros, extremo sul da capital. “Quando saímos do trem, fomos caminhando até a República, mas a estação estava fechada. Tive de pegar um ônibus para conseguir pegar o trem da CPTM. Por causa desse apagão, tudo está mais cheio. Se não fosse essa confusão, eu estaria em casa umas 16h”, diz ela.

Retomada. A operação só foi totalmente normalizada às 16h29. A ViaQuatro informou que os técnicos da companhia descartaram falha interna e que, portanto, existe a possibilidade de o problema ter sido causado “por uma oscilação de tensão da rede externa da Eletropaulo”, provocada pelo apagão.

A ViaQuatro informou ainda que, além de interromper a circulação na linha, a falha provocou problemas nos trens. Três deles tiveram de ser recolhidos para o pátio da companhia. A empresa afirmou que, durante o período de interrupção do serviço, os passageiros foram orientados por meio de mensagens sonoras.

O apagão que aconteceu na Linha 4-Amarela também teve reflexos em outros ramais, que ficaram mais cheios do que o normal por volta das 17h.

A Linha 11-Coral da CPTM estava lotada às 17h30 na Estação Luz. “Faz mais de meia hora que estamos esperando o movimento baixar, mas está difícil”, afirmou Carlos Alberto, de 27 anos, que estava acompanhado da mulher e dos dois filhos. Eles tentavam embarcar no sentido Guaianases, mas ficaram acuados pela multidão. “É perigoso ficar na fila com as crianças, elas podem se machucar. Não temos esperança de ir sentados dentro do trem”, explicou Talitha Aparecida, de 27 anos, mulher de Alberto.

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