Faixa no escuro deixa pedestre em perigo

Travessias que deveriam ficar iluminadas à noite estão com lâmpadas queimadas, aumentando o risco de atropelamentos

Luísa Alcalde, O Estadao de S.Paulo

22 Março 2010 | 00h00

O paulistano tem atravessado perigosas avenidas no escuro. Muitas faixas iluminadas de travessia de pedestres estão com lâmpadas apagadas. Na semana passada, a reportagem percorreu 50 km em vias de São Paulo durante três horas e encontrou 114 lâmpadas apagadas, ante 94 acesas. A primeira faixa desse tipo (com pequenos holofotes) foi instalada oficialmente em 1997, na Avenida 9 de Julho. O objetivo à época já era o de reduzir o risco de o pedestre não ser visto pelos motoristas.

Atropelamento, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), ainda é a principal causa de morte no trânsito, respondendo por 48% das ocorrências registradas em 2009 - 671 mortes, média de dois casos por dia. A maioria dos acidentes envolvendo pedestres acontece à noite, especialmente entre as 18h e 19h, nos dias de semana, e às 23h, nas sextas e sábados.

Existem, na capital, 3.144 travessias de pedestres iluminadas. Há a previsão de que mais 360 delas sejam implantadas ainda neste ano na cidade. A maior parte dos equipamentos inoperantes flagrados pela reportagem fica na zona norte, entre as Avenidas Brás Leme, Voluntários da Pátria, Cruzeiro do Sul, Água Fria, Ataliba Leonel e Rua Doutor Zuquim.

Insegurança. O ajudante de veterinário Damião Alves, de 32 anos, trabalha na região e diz sentir-se inseguro quando precisa fazer uma travessia à noite. "Espero sempre o farol ficar no vermelho e corro até alcançar o outro lado. Nunca sei se os carros estão me vendo", diz ele.

A CET reconhece o problema e diz que está mapeando os locais onde há maior risco de atropelamentos à noite para implantar mais faixas de travessia iluminadas. Resultados parciais do estudo mostram que, num período anterior e posterior à implantação de um lote de 103 novas travessias, houve redução de 50% no número de atropelamentos noturnos.

Investimento. Segundo a Prefeitura, há no orçamento deste ano da companhia R$ 4,970 milhões reservados especificamente para a instalação desses equipamentos. A CET também deve implantar ainda neste ano um novo equipamento de iluminação com "maior robustez e durabilidade".

A administração atribui a escuridão das travessias de pedestres às intempéries, vandalismo e desgaste do material, uma vez que os primeiros equipamentos foram instalados em 1997. No ano passado, em outubro, quando a CET divulgou balanço de mortes no trânsito, foram anunciadas 150 novas faixas iluminadas de travessia de pedestres, sendo que 24 delas seriam implantadas "imediatamente".

Um único equipamento custa cerca de R$ 1,5 mil a R$ 3,5 mil aos cofres públicos, dependendo do tipo e do tamanho da via, da disponibilidade para instalação e ligação elétrica e também da aplicação e manutenção da sinalização horizontal.

Sem lei. Não há no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) nenhuma regulamentação que obrigue o poder público a iluminar as faixas de pedestres. Existe apenas uma recomendação, feita pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), para que se mantenha nesses locais iluminação com um mínimo de 20 lux, equivalente a um abajur com uma lâmpada incandescente de 15 watts em um quarto de paredes escuras, de 15 metros quadrados.

PARA LEMBRAR

Sapobemba lidera ranking de acidentes

Na semana passada, levantamento feito pelo Corpo de Bombeiros apontou a Avenida Sapopemba, na zona leste de São Paulo, como a via que mais registrou atropelamentos em 2009 na capital. Foram 110 casos, o que dá uma média de um acidente a cada três dias em São Paulo. Só em um dos trechos da via ocorreram 14 casos, sendo 4 deles fatais. Em toda a cidade, porém, o número de ocorrências caiu: foram 10.105, ou 623 a menos do que em 2008. O número de pedestres mortos no 1º semestre de 2009 em relação ao mesmo período do ano anterior cresceu 4,6%.

Entre as vias que registraram mais atropelamentos estão as Avenidas do Estado, a Senador Teotônio Vilela e a Marechal Tito, além da Estrada de M"Boi Mirim. As mortes por atropelamentos ocorreram, em média, duas por dia e representaram metade do total de vítimas do trânsito.

Os dados foram divulgados também na semana passada pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

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