Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Extrema, em Minas, é exemplo de infraestrutura verde para o mundo

Programa adotado pelo município mineiro foi premiado pela ONU; plano de conservação já existe em 20 cidades

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

06 Setembro 2014 | 20h51

SÃO PAULO - Oito anos após o primeiro plantio de mudas, o município de Extrema, ao sul de Minas Gerais, na divisa com São Paulo, é a prova de que o investimento em infraestrutura verde dá resultado. Enquanto trechos degradados de grandes rios como o Tietê praticamente secaram diante da pior crise de estiagem dos últimos 84 anos, cerca de 700 afluentes do Rio Jaguari que foram cercados e reflorestados na cidade mineira continuam drenando água para o principal manancial que alimenta o Sistema Cantareira.

“Muitos córregos e riachos que cortam pastos e ainda não receberam uma cobertura florestal desapareceram com a seca, enquanto que nos corpos d’água onde já fizemos o reflorestamento a vazão da água caiu 40%, mas eles continuam alimentando o Jaguari, que vai lá para São Paulo”, afirma o secretário do Meio Ambiente de Extrema, Paulo Henrique Pereira, responsável pelo projeto “Conservador das Águas”, premiado pelo Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU/Habitat).

Desenvolvido em parceria com os governos estadual, federal e entidades não governamentais, o projeto tem como foco o cercamento para o reflorestamento e recuperação das áreas lindeiras aos corpos d’água e utiliza o pagamento por serviços ambientais a proprietários rurais para estimular a difusão da prática. Segundo Pereira, já existem hoje 170 proprietários cadastrados, que recebem R$ 221 por hectare/ano para preservar córregos e riachos. Atualmente, são cerca de 7.300 hectares sob proteção, que abrigam cerca de 700 nascentes e custam R$ 60 mil por mês ao município. Todas elas deságuam em afluentes ou diretamente no Rio Jaguari, que nasce mais ao norte de Minas, em Sapucaí-Mirim, e vai até Bragança Paulista, a cerca de 100 quilômetros de São Paulo, onde forma a maior represa do Cantareira com o reservatório Jacareí. 

Expansão. Segundo Devanir Garcia dos Santos, gerente de uso sustentável da água e do solo da Agência Nacional das Águas (ANA), parceira do projeto, o “Conservador das Águas” já é realidade em outras 20 cidades, incluindo Joanópolis e Nazaré Paulista, no Sistema Cantareira, com mais de 1,2 mil produtores recebendo por serviços ambientais prestados e 40 mil hectares recuperados.

“A ideia é usar pagamento por serviços ambientais como forma de implementar boas práticas, convencer o produtor a adotar boas práticas. Mas, além disso, nós adotamos outras práticas mecânicas, como a construção de bacias de contenção ao redor das estradas e terracionamento (espécie de degrau) nos morros. Tudo para evitar que o impacto da chuva no solo arraste sedimentos e para que a água tenha mais tempo para infiltrar no solo”, explica.

Mais conteúdo sobre:
Abastecimento de água Extrema

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.