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Explosão provocada por gás deixa 10 feridos no centro de SP

Bruno Ribeiro, Luiz Fernando Toledo - O Estado de S. Paulo

23 Agosto 2014 | 10h 33

Rua do Glicério e Barão de Iguape foram interditadas; impacto atingiu pensão e duas vítimas correm risco de morrer

Maurício Camargo/Eleven
Explosão ocorreu em uma tubulação de rua durante a madrugada.

SÃO PAULO - Uma tubulação da Comgás explodiu na madrugada de sábado na região central de São Paulo, deixando dez feridos, dois correndo risco de morrer. Duas ruas da região tiveram de ser interditadas.

Segundo a Polícia Militar, o vazamento de gás foi detectado à 2h40 na Rua do Glicério. Uma das moradoras da via, a funcionária pública Magda Santos, de 50 anos, afirmou que já sentia cheiro de gás no local por volta das 20h. Equipes da Comgás estavam trabalhando nos reparos do vazamento, em um ramal de baixa pressão, quando, às 5h06, ocorreu a explosão.

O impacto atingiu uma pensão e destruiu parte da fachada do sobrado. “Senti um estrondo e o barulho das janelas se mexendo, como se fosse um tremor”, contou o empresário Edgar Luna, que mora ao lado, na Rua Barão de Iguape.

Todos os feridos estavam dentro da pensão, de acordo com a PM. Eles foram levados para os prontos-socorros do Hospital das Clínicas (HC) e da Santa Casa de Misericórdia, também no centro da capital, e do Hospital do Mandaqui, na zona norte. Duas vítimas da explosão permanecem no HC, em estado grave. Natanael de Abreu Torres, de 36 anos, teve 45% do corpo queimado e Henrique Figueiroa, de 44 anos, 35%. Outros dois atingidos seguem em observação na Santa Casa.

Depois do acidente, dez equipes dos bombeiros e a Defesa Civil foram chamados. O imóvel atingido foi avaliado e interditado. Quatro quarteirões chegaram a ser isolados preventivamente, até que o risco de novas explosões fosse descartado, o que só ocorreu às 6h.

O desenhista Alex Valverde, de 21 anos, precisou deixar o apartamento, que fica ao lado da pensão onde houve o acidente. Segundo ele, a Comgás pediu a todos os moradores que se retirassem por medida de segurança – havia cheiro de gás em todo o prédio. “Tinha um monte de gente machucada, no chão. O Corpo de Bombeiros pediu pra ficar o mais longe possível”, afirmou. Segundo Valverde, os moradores só puderam retornar para as casas às 14h30.

Desabrigados. A Comgás afirmou que deslocou assistentes sociais para acompanhar os feridos que permaneceram internados e ofereceu hospedagem em hotéis da região aos 28 demais moradores da pensão. A empresa informou ainda que não sabia detalhar quais foram as causas do vazamento nem da explosão, mas que “prestará suporte às autoridades na investigação do caso”. Tanto a Rua do Glicério quanto a perpendicular, Rua Barão de Iguape, tiveram um trecho interditado para que os técnicos avançassem nos serviços de reparo da rede.

Por volta das 18h, as famílias de moradores da pensão ainda retiravam seus móveis e roupas e procuravam onde ficar. Geladeiras, colchões e fogões tomaram a rua Glicério no início da noite e seus donos não sabiam o que fazer. Equipes da Comgás ainda estavam no local verificando as tubulações no solo.

O comerciante José Batista da Silva, de 60 anos, estava com o pé enfaixado e o braço cortado, ambos consequência do estouro de uma janela. Ele morava em um dos quartos mais próximos da saída da pensão. O homem precisou remover seus pertences e disse que não sabe para onde vai. "Falaram para a gente ir para um albergue. Eu não vou", disse.

"A gente não é cachorro. Estávamos pagando para ficar onde a gente se sentia bem. Não vou ficar nisso aí", reclamou o porteiro Cícero Santos, de 29 anos, outro morador da casa.

A aposentada Josefa Rodrigues, de 60 anos, acordou às 5h para ajudar seu filho, Edson Rodrigues, a remover os móveis da casa. Ele morava no local com a mulher e um filho. "Eles vão morar comigo por enquanto", contou.