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Ex-marido de estudante de Direito confessa assassinato no Guarujá

- Atualizado: 28 Janeiro 2016 | 07h 41

Segundo investigações, Sérgio de Souza Cerqueira insistia na retomada do casamento com Fernanda Pimenta Cerqueira

SANTOS - A estudante Fernanda Pimenta Cerqueira, de 37 anos, que ficou desaparecida por nove dias, foi assassinada por seu ex-marido, o técnico Sérgio de Souza Cerqueira, de 35 anos, na casa onde os dois moraram juntos até agosto do ano passado, no distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, no litoral sul de São Paulo. “O motivo do crime foi ciúme”, afirmou nesta quarta-feira, 27, o delegado Luiz Ricardo Lara Dias Júnior, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Santos, durante entrevista coletiva realizada em Santos.

“As provas demonstraram que Sérgio tinha uma obsessão pela ex-mulher. Apesar da relação do casal parecer tranquila após a separação, ele insistia na retomada do casamento e da família. A notícia de que Fernanda, talvez, tivesse iniciado uma nova relação afetiva pode ter sido o estopim para que ele cometesse o crime”, diz Lara.

De acordo com o delegado, apesar do acusado ter afirmado que matou a ex-mulher porque ela manteve uma relação extraconjugal, não há comprovação da traição. Luiz Ricardo Lara Dias Júnior ressalta que a versão de uma suposta relação afetiva com outro homem, durante ou após o casamento, foi apresentada somente por Sérgio de Souza Cerqueira.

Fernanda Pimenta Cerqueira e Sérgio de Souza Cerqueira têm uma filha

Fernanda Pimenta Cerqueira e Sérgio de Souza Cerqueira têm uma filha

Fernanda foi vista pela última vez no dia 14 de janeiro. No dia seguinte, foi registrado um boletim de ocorrência por seu desaparecimento. A Polícia Civil começou a procurar pela estudante, identificou testemunhas e pessoas que pudessem apresentar informações sobre o seu paradeiro.

“Logo no começo desse trabalho os policiais identificaram que o ex-marido fora a última pessoa com a qual ela havia mantido contato no dia e hora do desaparecimento. O rapaz foi à delegacia, apresentou a sua versão dos fatos, confirmou que houve um encontro na casa dele e disse que, após um breve diálogo, ela foi embora”, afirmou o delegado.

A versão do ex-marido, conforme explicou o chefe da DIG, não condizia com as provas obtidas pelos investigadores, entre as quais estão a identificação de sangue e cabelo no porta-malas do carro dele. “Como existiam indícios da autoria e havia também a necessidade de encontrar a estudante, foi pedida a prisão temporária do suspeito, da qual o Ministério Público e o poder Judiciário foram favoráveis”, diz Lara.

Sérgio de Souza Cerqueira foi preso no dia 22 de janeiro e manteve, em novo depoimento, a mesma versão apresentada antes, mas no dia seguinte o corpo de uma mulher foi encontrado às margens da Rodovia Rio-Santos, no bairro do Iriri, na Área Continental de Santos. De acordo com o delegado, as roupas que a estudante usava quando desapareceu e algumas tatuagens confirmaram que o corpo era de Fernanda Pimenta Cerqueira.

“O suspeito foi novamente ouvido e, informado sobre a localização do corpo, na presença de testemunhas, confessou minuciosamente a autoria do crime. Declarou que, por causa do ciúme e outros descontentamentos durante a vida conjugal, teve uma discussão com Fernanda, perdeu o controle por um minuto, jogou a vítima no chão e a esganou. Depois colocou a estudante já morta no porta-malas do seu carro e transportou até a área onde o corpo foi localizado”, descreve o delegado.

Sérgio de Souza Cerqueira será indiciado por homicídio triplamente qualificado, por asfixia, com impossibilidade de defesa da vítima, e ainda pelo crime de feminicídio, porque vítima e criminoso tinham uma união constituída, com filhos, o que caracteriza violência doméstica. A Polícia Civil vai manter as investigações por mais 30 dias, para conseguir novas provas que sustentem a acusação.

O casal tem um filho de 4 anos, que está na casa dos avós paternos, no interior paulista. A estudante tinha outra filha, fruto de seu primeiro casamento.

Fernanda Pimenta Cerqueira cursava Direito no câmpus de Guarujá da Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP) e trabalhava na CPFL Piratininga. O corpo da estudante foi encaminhado ao Hospital das Clínicas, em São Paulo, para ser examinado. Não há previsão para velório ou sepultamento.

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