Ex-funcionárias denunciam patroa por bater em filha adotiva

No Rio, agressões de procuradora à criança de 2 anos teriam começado um dia após a adoção;[br]menina foi para abrigo

Gabriela Moreira, O Estado de S.Paulo

28 Abril 2010 | 00h00

A procuradora de Justiça aposentada Vera Lúcia Sant"Anna Gomes, de 53 anos, é suspeita de ter agredido e torturado, durante um mês, uma criança de 2 anos e 9 meses. A menina, que fora adotada pela procuradora em março, foi encontrada pelo Conselho Tutelar no dia 14 com hematomas em todo o rosto, no apartamento de Vera Lúcia, em Ipanema, na zona sul do Rio. A denúncia foi feita por ex-funcionárias da procuradora.

Segundo o conselheiro Heber Boscoli, que foi ao apartamento checar a denúncia, a procuradora não conseguiu explicar como a criança se feriu.

"Todos se comoveram com a imagem da menina. O olho dela quase não abria. A procuradora disse que a menina era escandalosa e que só bateu nela uma vez, porque ela não queria entrar num táxi", disse o conselheiro, que foi à casa da procuradora acompanhado de uma juíza, de uma promotora, de uma psicóloga e uma assistente social.

A menina foi atendida no Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, e levada de volta para o abrigo de onde foi adotada.

A delegada responsável pelo caso, Monique Vidal, da 13.ª Delegacia de Polícia (Copacabana), aguarda o laudo do exame de corpo delito feito na criança. "Estamos investigando o crime de tortura. Já ouvimos pessoas que trabalharam na residência e a procuradora já foi intimada."

Segundo uma das quatro pessoas que fizeram a denúncia, a agressão começou no primeiro dia após a adoção. "O pior foi na Semana Santa. A Vera não gostou de a menina ter virado o rosto para um amigo e bateu na menina o dia inteiro. Ela deu muito tapa no rostinho, na cabeça, nas costas. Esta menina sofreu muito. Era angustiante trabalhar vendo aquilo", contou uma ex-funcionária.

Adoção. De acordo com a Promotoria da Infância e Juventude, a guarda da menina foi revogada e a certificação de Vera junto ao Cadastro Nacional de Adoção foi cancelada. Para consegui-la, a procuradora passou por todas as investigações exigidas no processo de adoção. Os trâmites duraram quatro anos.

O advogado Jair Leite Pereira negou que sua cliente tenha agredido ou torturado a criança. Perguntado sobre os hematomas, ele inicialmente informou que ela "poderia ter caído".

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