Evento promove troca-troca de roupas usadas

Evento promove troca-troca de roupas usadas

Primeira edição do projeto Desapegue reuniu mulheres na Vila Madalena; é permitido levar até 10 peças em bom estado

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

01 Abril 2010 | 00h00

Repassar roupas usadas é um hábito familiar e até mesmo comum entre amigas. Funciona, às vezes, até como uma desculpa para festinhas informais, onde se coloca a conversa em dia entre um drink e um petisco. E, o mais importante, transforma-se numa forma econômica e divertida de renovar o guarda-roupa. Enfim, a roupa que uma amiga não quer mais pode ser o objeto de desejo da outra, e vice-versa.

A novidade é que o troca-troca informal agora virou um evento organizado e mensal, o Desapegue. A primeira edição aconteceu ontem no Quintal da Madalena, restaurante na Vila Madalena, zona oeste da cidade. Para participar é preciso pagar uma entrada de R$ 20 e levar as roupas usadas ? no máximo dez ?, em bom estado e que ainda estejam na moda.

Para não haver erro na classificação, há uma triagem na porta para garantir a qualidade do projeto. As peças consideradas inadequadas ? aquelas já demasiadamente desgastadas ou mesmo fora de moda ? são vetadas para a troca e encaminhadas para a doação, se o participante concordar.

"Vai desapegar?", pergunta a responsável pela seleção a uma cliente que trouxe uma saia longa xadrez. Ela desapegou, mas a peça foi para doação. "Roupas como esta serão retiradas aqui pelo Exército da Salvação", diz Janaina Crosara, de 31 anos, uma das idealizadoras do Desapegue.

A especialista em organização pessoal Daniela Ferreira, de 36 anos, veio da Aclimação, zona sul da cidade, com um sacolão de roupas usadas. "Trouxe tudo que estava encostado no guarda-roupa. Muito além do limite de dez peças", conta. Daniela encaminhou para a troca as roupas com maior valor e desapegou das demais.

"Não tem sentido deixar uma roupa que você não usa a mais de um ano parada no armário. Tem coisa que não me serve mais", explica. Mas nem todo mundo é assim desapegado. Há quem prefira levar a roupa rejeitada de volta para casa.

Variedade. Lá dentro, tudo ficou exposto em araras, como numa loja. Havia modelos de todos os estilos. "Não há limite de idade para participar", diz Janaina. E é a variedade de perfil das mulheres que deixa este troca-troca ainda mais rico. "Tem muita garota que acaba levando roupa social, de senhoras, para usar no trabalho", afirma. O inverso também aconteceu.

"Minhas roupas são sérias e queria trocar de estilo", conta. "Sai de lá com modelos mais descontraídos. Foi muito divertido", diz a engenheira peruana Magdalena Woelz, de 68 anos. Para ver se o esquema de fato iria funcionar, Janaina promoveu, há um mês, antes de abrir para o público, um teste com 30 amigos, entre eles Magdalena, que gostou tanto da brincadeira que voltou ontem. Além de roupas, ela levou acessórios como uma bolsa de couro vermelha, disputada desde a entrada do evento.

Nas araras, havia também roupa nova, com a etiqueta. Tem gente que gosta da peça na loja, mas quando chega em casa, acha que o modelo não combina com seu biotipo ou não tem coragem de usar. Outra história comum é do presente repetido ou que não serviu, mas não foi trocado.

O provador. Apesar de todas as roupas estarem penduradas nas araras, é no provador coletivo que as peças viram objetos de desejo. A mulherada chega com um bolo de modelos para experimentar. O olho grande em cima da roupa que a vizinha está provando é quase inevitável.

Quem veste e gosta precisa ser esperta para não perder a peça na confusão. Imagine um monte de mulheres , eufóricas, só de calcinha e sutiã, como se estivessem no quarto de casa, só que no melhor dos mundos: com um pilhas de roupas pela frente para escolher e levar sem pagar.

O próximo Desapegue será dia 28, no mesmo endereço, na Rua Harmonia, 354, na Vila Madalena. A organização do evento promete novidades. "Estamos providenciando uma costureira para fazer ajustes no local", diz Janaina. "Outra ideia é oferecer a customização das roupas que seriam de cara descartadas e encaminhadas para a doação." O cliente pagaria só o trabalho da costura e da customização.

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