'Eu mesmo me autodenunciei'

Cinco dias após o Estado pedir explicações ao vereador Juscelino Gadelha (PSB) sobre uma empresa náutica em nome do assessor lotado em seu gabinete como "garagista", com salário de R$ 23 mil, o vereador afirmou ter dois toboáguas no litoral cujo locatário é Alexandre Camargo Pereira. Gadelha nega irregularidade e apresentou a documentação e licenças de seu toboágua que funciona 70 dias por ano na Praia de Maranduba, em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

03 Julho 2012 | 03h05

Por que o senhor colocou o nome do assessor no toboágua?

Eu estava me separando e precisava de alguém de confiança. Foi só por isso, ele é o locatário. Tenho as licenças da Marinha, da prefeitura de Ubatuba. Está tudo correto. Não tenho nada a esconder.

Mas os lucros voltam para o senhor. Não é estranho?

Não tem nada a ver a vida privada do meu assessor com o trabalho em gabinete. Ele é uma pessoa de confiança. O fato de ele aparecer na lista de salários como garagista, com salário de R$ 23 mil mensais, é um absurdo mesmo e não escondi meu erro. Desde o início, levantei minha mão e assumi que o assessor era meu. Eu mesmo me autodenunciei. Depois, na questão da empresa, houve um erro de comunicação. Não expliquei antes porque estava reunindo a papelada para mostrar que não existe nada de fantasma.

O senhor tem um toboágua também na Enseada, no Guarujá. Esse equipamento também está em nome de seu assessor?

Sim. Ele é o locatário. Mas isso também não tem problema algum. Já disse que precisava de alguém de confiança.

O senhor vai devolver os salários do assessor? Quanto ele vai ganhar a partir do próximo mês?

Vou devolver tudo, estou só esperando o cálculo dos dois meses que ele recebeu errado. O salário correto dele é de R$ 7 mil. / D. Z., R. B. e NATALY COSTA

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