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Estupros e roubos aumentam em SP; homicídios caem

Número de casos de estupro na capital paulista passou de 176 para 233, de agosto do ano passado para o mesmo mês deste ano

Bruno Ribeiro e Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

23 Setembro 2016 | 19h05
Atualizado 24 Setembro 2016 | 00h13

O número de roubos cresceu tanto na capital paulista como no Estado de São Paulo no mês de agosto, segundo dados da Secretaria Estadual da Segurança Pública divulgados nesta sexta-feira, 23. É o sétimo mês seguido de aumento neste indicador de criminalidade. Na outra ponta, os homicídios caíram tanto no Estado quanto na capital.

No Estado, o aumento dos registros de roubo foi de 14,34%, de 25.488 para 28.451 casos. Já na cidade, de 11,05%, passando de 12.489 registros, em agosto de 2015, para 13.869 ocorrências no mês passado. Também teve forte crescimento o registro de roubos de carga, que subiram 65,8% na capital paulista – passando de 307 casos, em agosto de 2015, para 509 no último mês – e 59,76% no Estado, de 574 para 917 ocorrências na comparação dos dois períodos.

A persistência no crescimento desse tipo de delito foi explicada pelo secretário estadual da Segurança Pública, Mágino Alves, por diversos fatores, a começar pela crise econômica. “Em 59% dos casos de roubo de carga, os produtos roubados eram alimentos. O sujeito rouba para jogar no mercado informal e vender com preço mais barato”, disse Alves nesta sexta.

O secretário relacionou ainda o aumento de casos de roubos de celulares como outra explicação para a escalada do índice. “Agora se rouba muito celular, há gangues de bicicletas. O celular sempre foi um objeto caro e fácil de ser levado. O que pode estar acontecendo é que pessoas que não praticavam esses delitos passaram a cometê-los”, afirmou. 

Questionado sobre a onda de violência, o secretário citou o incremento da parceria com a Prefeitura de São Paulo para compartilhamento de imagens de câmeras de segurança e dos radares de trânsito – que são capazes de ler as placas de todos os carros e rastrear veículos pela cidade – para o combate ao crime de roubo, por meio do sistema chamado Detecta. Para ele, o monitoramento eletrônico é uma medida para combater esse tipo de delito. 

“Em um mês, 358 pessoas foram presas por meio desse sistema”, afirmou Alves, destacando apreensão de veículos roubados.

Mortes. O Estado registrou 283 casos de homicídios em agosto – 62 deles na capital. A queda estadual é de 12,6%. Já no município, de 7,46%, ante o mesmo mês do ano passado. “Sentíamos uma pressão nas estatísticas nos casos de homicídio verificados no interior do Estado. Neste mês, notamos que houve redução ali também”, disse o secretário. 

Com a nova redução apontada pelos números, a capital paulista passou a ter uma taxa de homicídios de 7,67 casos para cada grupo de 100 mil habitantes, abaixo da taxa de 10 casos para cada 100 mil habitantes, caracterizada como “epidêmica”. 

Estupros. A exemplo dos roubos, os casos de estupro também subiram. Na capital, o aumento foi de 32,39% no mês passado, ante o mesmo mês de 2015. Foram 233 registros, contra 176 em 2015. Em todo o Estado, o aumento foi de 27,4%.

Ao apresentar o dado, o secretário prometeu, sem dar prazos, a ampliação do número de Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) funcionando 24 horas. Só uma DDM, no centro da capital, tem esse horário. “Nosso esforço é para que consigamos abrir novas delegacias 24 horas. A zona leste e o extremo sul são as áreas que, na nossa avaliação, também demandam esse atendimento.”

Segundo Alves, de 22 de julho a 21 de agosto, a DDM registrou 123 boletins de ocorrência. Já entre 22 de agosto e 21 de setembro, após a ampliação do horário de atendimento, foram 341 boletins e 7 prisões em flagrante de autores desses delitos”, disse o secretário.

Novas mudanças. Ao apresentar os índices criminais nesta sexta, Alves anunciou novas mudanças nos processos de coleta dos dados estatísticos do governo, alvo de questionamentos. 

Resolução assinada nesta sexta, que será publicada no Diário Oficial do Estado, estabelece um prazo de cinco dias para o delegado de cada distrito responder eventuais manifestações do órgão que coleta as estatísticas – a Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP) – sobre reclassificações de delitos, como caso de uma morte suspeita que é, na verdade, um crime de homicídio. 

Em março, o Estado publicou reportagem mostrando que essa reclassificação fazia com que homicídios ficassem fora das estatísticas, reduzindo artificialmente os índices.

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