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Alex Silva/Estadão

Estudo revela alta do fluxo migratório do Paraguai para SP

Nacionalidade é a quarta maior população de imigrantes na cidade; depois de 2005, cresceu com maior intensidade

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Pablo Pereira,
O Estado de S. Paulo

05 Novembro 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Bolivianos, coreanos, haitianos e africanos são vistos hoje em São Paulo como as mais notórias populações de imigrantes que buscam espaço no mercado de trabalho, principalmente em setores de serviços e indústria têxtil no centro. Mas há um grupo, pouco conhecido, que vem se destacando entre aqueles que veem a cidade como oportunidade: os paraguaios.

Um estudo sobre imigração do Paraguai para São Paulo, feito para o Centro de Estudos Migratórios da Missão Paz, entidade que apoia recém-chegados à cidade, mostra que cidadãos paraguaios, que até o início dos anos 2000 buscavam melhores condições de vida na Argentina e na Espanha, mudaram o fluxo migratório para o Brasil. 

“Os microdados do Censo de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelam que a maior parte (50,3%) dos nascidos no Paraguai residentes na região metropolitana de São Paulo se estabeleceram depois de 2005. E dois a cada três paraguaios se mudaram para o Brasil após os anos 2000”, informa estudo dos sociólogos Carlos Freire da Silva e Tiago Rangel Côrtes. 

O tema será debatido no Seminário Vozes e Olhares Cruzados, na sexta-feira, às 17 horas, no auditório da Missão Paz, na Rua do Glicério, 225, na Liberdade. A Missão Paz abriga diariamente 110 pessoas na Casa do Migrante e atende imigrantes de cerca de 70 nacionalidades.

De acordo com Silva, dados do Consulado do Paraguai em São Paulo apontam ainda que há hoje na cidade entre 40 mil e 45 mil paraguaios, muitos deles trabalhando em oficinas de costura, um território que por anos vinha sendo ocupado principalmente por bolivianos. “Pelos dados da imigração da Polícia Federal, os paraguaios são hoje a quarta maior população de imigrantes em São Paulo”, diz o pesquisador. “A grande questão, discutida na pesquisa, é que os paraguaios não são tão estudados como os demais grupos”, afirma Silva. 

Integração. Leo Ramírez, de 29 anos, é um exemplo dessa migração. Ele chegou ao Brasil com 18 anos para trabalhar como costureiro clandestino. Fez isso entre 2004 e 2010. Hoje, trabalha legalmente como funcionário do Consulado da Venezuela em São Paulo, onde vive com a mulher, também paraguaia - e com quem espera o seu primeiro bebê. “Argentina e Espanha tinham atrativos para paraguaios, mas isso mudou”, diz.

Ramírez é um dos líderes da comunidade paraguaia paulistana. Convidado pelos autores da pesquisa para relatar sua experiência no estudo que será publicado na revista Travessia, da Missão Paz, ele é um dos organizadores de grupos culturais em São Paulo, como o de dança Acuarela Paraguaia.

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