Priscila Mengue/Estadão
Priscila Mengue/Estadão

Estudantes e militantes desocupam Câmara de SP após dois dias

Cerca de 50 jovens estavam no plenário da casa desde a tarde de quarta-feira, 9

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

11 Agosto 2017 | 13h49
Atualizado 12 Agosto 2017 | 08h47

SÃO PAULO - Após dois dias, estudantes e militantes de movimentos sociais desocuparam a Câmara Municipal de São Paulo nesta sexta-feira, 11, por volta das 13 horas, com palavras de ordem como “Doria respeita: SP não está à venda.” A saída aconteceu mediante o acordo de que um manifestante terá direito a uma fala de cinco minutos na próxima reunião do Colégio de Líderes, na terça-feira. Na quinta, a 13.ª Câmara de Direito Público da capital havia determinado prazo de cinco dias para a desocupação.

Os manifestantes defendem a realização de um plebiscito para discutir o plano de desestatização do prefeito João Doria (PSDB) e a revogação das alterações no passe livre estudantil feitas no início do mês.

“Da mesma forma que o Doria não tem direito de entrar na nossa casa e vender nossa geladeira, sem nossa autorização, ele não pode vender os bens públicos, que são seus, meus e de todos nós, sem a nossa autorização”, declararam em um manifesto, no qual convocam estudantes para um grande ato no dia 17. “Temos a convicção de que não há espaço para avançarmos em nenhuma negociação e de que nossa luta continua nas ruas e no diálogo com toda sociedade paulistana, já que este governo não o faz.” Na noite desta sexta, estudantes se concentraram na Avenida Paulista pelo passe livre.

Negociação. À imprensa, o presidente da casa, Milton Leite (DEM), declarou ter indicado o vereador Eduardo Suplicy (PT) para negociar com os manifestantes, após ter proibido a entrada de parlamentares no plenário. A postura foi criticada pelas vereadoras Sâmia Bomfim (PSOL) e Juliana Cardoso (PT), que diz ter sido segurada pelos braços e empurrada por dois policiais ao adentrar o local por um elevador privativo.

“Ele (um policial) disse para eu sair. E eu falei: ‘Não, você vai ter de me tirar daqui à força’. Aí ele falou: ‘Pois bem’. Daí, cada policial me pegou de um lado, teve a reação dos meninos ocupantes e vieram outros policiais com a GCM (Guarda Civil Metropolitana)”, disse Juliana. 

A suposta agressão foi negada por Leite. “O Suplicy entrou como mediador por mim autorizado. Eu não autorizei ela (Juliana) como mediadora”, disse. “Os policiais militares estavam contendo eventuais novos invasores ao plenário, novos ocupantes. A função deles foi cumprida dentro da lei”, afirmou.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirmou que a Polícia Militar "irá apurar os fatos citados pela reportagem". "A Corregedoria da PM está à disposição da vereadora para formalização de queixa sobre a postura dos policiais envolvidos para a devida apuração", informou.

Antes de desocupar o espaço, os manifestantes fizeram fotos e retiraram as bandeiras colocadas no espaço, de movimentos como a União da Juventude Socialista (UJS), a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes). Segundo boletim de ocorrência de autoria desconhecida divulgado pela presidência da Câmara, três cadeiras, dois extintores de incêndio e uma porta foram danificados durante a ocupação, o que foi negado por líderes dos manifestantes.

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