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Estratégica, Maré terá ação contra facções e milícia

MARCELO GOMES/RIO - O Estado de S.Paulo

30 Março 2014 | 02h 07

Militares que devem entrar no complexo de favelas têm planos diferentes para cada área e temem resistência de traficante do TCP

A ocupação do Complexo da Maré, prevista para hoje, será a primeira na qual as forças de segurança terão de lidar com criminosos de três facções diferentes. Até então, em todas as grandes favelas pacificadas (como Alemão e Rocinha), havia só uma quadrilha. Formada por 16 comunidades e com cerca de 130 mil habitantes, a Maré é controlada pelo Comando Vermelho (CV), pelo Terceiro Comando Puro (TCP) e por uma milícia. A especificidade do local fez o planejamento da operação ser diferente das ocupações anteriores.

"Cada facção combate (as forças de segurança) e usa a população a seu favor de uma maneira diferente. Os efeitos colaterais dessas estratégias têm que ser identificados. Existem áreas de combate iminente e outras, menos. Também precisamos levantar as ligações entre os atores dessas comunidades (moradores, ONGs, traficantes) para diminuir as várias influências contra a tropa.

Por isso, temos que atuar com normas de engajamento mais flexíveis", disse ao Estado um militar que tem participado ativamente do planejamento da ocupação da Maré. No jargão militar, as "normas de engajamento" determinam quando, onde e em que situações deve ser usada a força.

O Complexo da Maré fica situado em uma região considerada estratégica, por ser cortado pelas três principais vias expressas da cidade: Linhas Vermelha e Amarela e a Avenida Brasil. O conjunto de favelas é rota obrigatória para quem chega ao Rio pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim ou pelas Rodovias Presidente Dutra, principal ligação com São Paulo, e Washington Luís (BR-040), e precisa se deslocar para o centro, a zona sul ou a Barra da Tijuca, na zona oeste da capital.

Outro episódio que teve impacto no planejamento da ocupação foi a prisão, na quarta-feira, do traficante Marcelo Santos das Dores, conhecido como Menor P. Apontado como chefe do TCP na Maré, o bandido foi preso pela Polícia Federal numa cobertura de luxo em Jacarepaguá, na zona oeste da cidade.

O lugar de Menor P na hierarquia do tráfico, segundo informações das agências de inteligência, deve ser ocupado por seu irmão por parte de mãe, Fabiano Santos de Jesus, o Zangado. Menor P tinha personalidade diferente: ex-paraquedista do Exército, era um estrategista. Já Zangado, como o apelido diz, é considerado um bandido "inconsequente", capaz de tentar resistir à ocupação. Outro cotado para assumir o posto é Josias dos Santos Silva, o Drogadão, um dos seguranças de Menor P. Cerca de mil homens da PM ocuparão, no fim da madrugada de hoje, todas as 16 favelas do Complexo. Dez comunidades atualmente são dominadas pelo TCP; quatro, pelo CV, e duas, por uma milícia.

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