Estilo de vida pode reduzir 75% dos ataques cardíacos

Seis dicas básicas podem ajudar uma mulher jovem a evitar um ataque do coração: não fumar, manter o peso adequado, não beber mais de uma dose de bebida por dia, seguir uma dieta saudável, não assistir a mais de uma hora diária de TV e fazer atividade física regular. De acordo com estudo que acompanhou 70 mil enfermeiras por duas décadas, realizado pela Escola de Saúde Pública da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, e revelado pelo jornal inglês Daily Mail, 75% dos problemas cardíacos poderiam ser evitados dessa forma.

Jairo Bouer, O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2015 | 02h01

As mulheres que seguiam um estilo de vida mais saudável tiveram um risco 92% menor de enfrentar um enfarte e 66% menos chance de desenvolver um fator de risco para doenças cardíacas, como hipertensão, diabete ou taxas elevadas de colesterol.

A mortalidade por problemas cardíacos tem caído nos últimos 40 anos nos Estados Unidos, mas justamente na faixa das mulheres mais jovens (de 35 a 44 anos) esse número se manteve estável. Para os pesquisadores, o ingresso no mercado de trabalho, a aquisição de hábitos tradicionalmente masculinos, como fumar, o estresse e principalmente um estilo de vida pouco saudável poderiam explicar a diferença. Pesquisas anteriores têm apontado na mesma direção. Estar magro, ingerir uma dieta rica em frutas e vegetais, se exercitar, não fumar e beber com moderação aparecem como receitas para se viver mais e melhor.

No estudo americano, mesmo quem já apresentava um fator de risco para doença cardíaca, ao seguir pelo menos 4 das 6 recomendações básicas, conseguiu reduzir as chances de ter doenças.

A exposição excessiva à TV e aos computadores parece ser indicador de um estilo de vida mais sedentário. No Reino Unido, por exemplo, a recomendação hoje é de, pelo menos, 150 minutos semanais de atividades físicas.

Bicicleta e vigor físico. Por falar nisso, outro estudo inglês, realizado pela Universidade King's College London com ciclistas amadores de 55 a 79 anos, mostrou que eles estavam fisicamente muito mais jovens do que pessoas da sua idade. Outro dado: apesar da diferença de até 25 anos de idade entre os pesquisados, os mais velhos tinham a mesma força muscular, capacidade pulmonar e possibilidade de se exercitar do que os mais novos. O trabalho foi publicado no Journal of Physiology.

Além dos benefícios para músculos, pulmão e coração, pedalar mantém as pessoas alertas, o que também contribui para mais tempo de vida funcional, sem muitas das limitações físicas e cognitivas impostas pela idade.

Os participantes do estudo foram selecionados por serem ativos e capazes de cobrir longas distâncias de bicicleta. Foram excluídos fumantes, quem bebia muito e aqueles que tinham problemas de saúde.

Apesar da seleção dos candidatos feita deliberadamente para não confundir envelhecimento natural com efeitos do sedentarismo na saúde, os pesquisadores acreditam que os benefícios, em diferentes níveis, sejam extensíveis a todos os que começam a pedalar. O mesmo valeria para os que iniciam outras atividades físicas regulares em idades mais avançadas, desde que com a liberação do médico.

Para os pesquisadores, hoje a maioria da população é inativa em boa parte do mundo ocidental. Assim, pode ser difícil precisar que alterações do envelhecimento são naturais da idade e quais podem ser decorrentes da falta de atividade física. Que tal começar a se mexer? E como pensar em políticas públicas que favoreçam espaços de lazer, como ciclovias em cidades que não param de inchar a frota de carros?

É PSIQUIATRA

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