''Estamos num momento de virada''

O prefeito Gilberto Kassab (DEM), de 49 anos, está convencido de ter feito "a lição de casa" em 2009, apesar de sua imagem frente à população ter se deteriorado em ritmo exponencial nos 15 meses desde a reeleição. "Cortei verba do que tinha de cortar para preservar Saúde e Educação, que são as prioridades. Paramos muitas obras de manutenção da cidade, eu admito isso. Mas agora estamos retomando tudo e sem ter acumulado dívidas no período mais difícil", garante um descontraído Kassab. Com três horas de atraso e após despachar com quatro secretários, Kassab recebeu a reportagem do Estado por volta das 21 horas de quarta-feira em seu gabinete, na primeira entrevista exclusiva concedida após o período das enchentes.

DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2010 | 00h00

O governo está anunciando um extenso programa de recapeamento no "Diário Oficial da Cidade". Os serviços de zeladoria voltaram a acontecer, depois dos cortes sucessivos em 2009?

Estamos retomando uma série de ações e obras que realmente ficaram paradas, eu admito isso. Tivemos uma queda de R$ 5 bilhões na arrecadação do orçamento que havíamos previsto em agosto de 2008. Havíamos previsto R$ 29 bilhões e fechamos com menos de R$ 25 bilhões. Não foram cortes, tivemos a responsabilidade de dar prioridade aos gastos com Educação e Saúde e não fizemos dívidas. Com todas as dificuldades, fechamos o ano passado com superávit de R$ 80 milhões.

Mas, se soubesse que teríamos tantas enchentes, o senhor teria congelado verbas dos serviços de manutenção?

Não houve cortes. Fiz o que tinha de ser feito, a lição de casa eu cumpri. Não foram feitas dívidas e pudemos manter os investimentos prioritários, como a construção de mais dez AMAs (unidades de Assistência Médica Ambulatorial), os investimentos em educação, ampliamos mais vagas nas creches, construímos novas escolas. E fizemos uma ampla divulgação dos salários de todos os servidores e contratos do governo, que faz parte da nossa política de total transparência na gestão pública.

O senhor acha que o crescimento de sua rejeição está relacionado às chuvas?

Acho que essa tendência (de queda na popularidade) já se inverteu. A pesquisa do Datafolha, um instituto de muita credibilidade, foi feita num momento em que ainda estávamos enfrentando os temporais. A cidade ficou muito deteriorada pelas enchentes. Mas eu não endividei a cidade, eu não parei a Saúde. Muitas obras grandes que ficaram paradas estão agora recomeçando. A ampliação da pavimentação é apenas uma dessas ações. A cidade vai ficar bonita de novo. Como eu disse, fizemos a lição de casa direitinho para poder retomar os investimentos na zeladoria e nas grandes obras. Com maior arrecadação, estamos num momento de virada. Muitos canteiros de obras sendo retomados, muita gente já percebeu esse momento de virada.

Existe um prazo para São Paulo ficar bonita?

Prefiro não falar em prazos específicos, estamos trabalhando dia e noite para isso.

Os aumentos do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e da passagem de ônibus este ano também causaram desgaste?

Não aumentamos o IPTU. Nós fizemos a revisão da Planta Genérica que estava prevista em lei e não acontecia desde 2002. Agora essa revisão será feita de dois em dois anos. E a população entendeu que a revisão era necessária. A passagem de ônibus foi mantida pelo mesmo valor durante mais de três anos, um recorde na nossa cidade. Pagamos subsídios às empresas para manter o preço baixo e vamos continuar pagando.

Os subprefeitos vêm criticando o aumento do rigor nas contratações de novas equipes para os serviços de poda de árvore e limpeza de galerias. Esse rigor engessou as subprefeituras?

Não engessou. Hoje nós temos transparência total na prestação de contas e tudo precisa de contrato. Não existe burocracia. Tanto que eu elaborei uma nova lei para os polos geradores de tráfego justamente para acabar com a burocracia. Agora a CET tem de dizer quais são as contrapartidas em obras para o trânsito de um novo empreendimento em 60 dias, no máximo. Isso é eliminar a burocracia e uma demonstração de transparência e de honestidade com o contribuinte.

Seus aliados na Câmara Municipal reclamam que o senhor faz muita articulação política no dia a dia e deixa a parte administrativa com o secretário Alexandre de Moraes (Transportes e Serviços). Existe uma centralização das ações dentro do governo conduzida pelo Moraes?

Isso é bobagem. Quem fala isso tem ciúmes do Alexandre, que é excelente secretário. Temos um time jovem, competente, que mostra vigor no trabalho e pela cidade. Eu, fazendo política? Estou fora da campanha do Serra, despacho o dia inteiro com meus secretários. Você acabou de ver que recebi secretários aqui, estou trabalhando por São Paulo, pela Prefeitura. Quero cumprir as demandas sociais do Município.

Na semana passada, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) voltou a dizer que a Fifa vai vetar o Morumbi para a abertura da Copa do Mundo de 2014. Afinal, existe um plano B em Pirituba para receber o evento?

O projeto de Pirituba é de conhecimento do presidente Ricardo Teixeira, da CBF, e de todos os paulistanos. Se a CBF e empresários quiserem investir lá e construir um estádio, ótimo. Mas não vou investir um centavo de dinheiro público para construir outro estádio na cidade. Prefiro que São Paulo perca a Copa do que sacrificar investimentos que precisamos fazer em Educação e Saúde.

O senhor vai continuar defendendo o Morumbi?

Claro. Estamos, Prefeitura e Estado, totalmente fechados com o Morumbi. Para nós, não existe outro plano nem existe fator político, é um fator técnico. É um estádio bem localizado, vai ter estação do metrô perto, bons hospitais. É o melhor espaço da cidade para receber o Mundial e vamos fazer essa defesa.

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