Estado quer retirar odor do Pinheiros

Governo vai lançar em até dez dias o edital para chamar empresas interessadas em apresentar tecnologias para remoção do mau cheiro

CAIO DO VALLE, BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

06 Março 2013 | 02h03

O secretário estadual do Meio Ambiente, Bruno Covas, afirmou ontem que os testes para a remoção do cheiro ruim do Rio Pinheiros, que passa pelas zonas sul e oeste da capital paulista, devem começar em breve. O governo vai lançar em até dez dias um edital para chamar empresas interessadas em apresentar tecnologias capazes de remover o odor do rio, que recebe esgoto sem tratamento.

Os serviços, que não incluem a despoluição do rio, serão feitos em parceria com a Empresa Metropolitana de Água e Energia (Emae), estatal responsável pela gestão do Pinheiros. "Esses testes ajudarão na escolha da tecnologia que o Estado vai adquirir", disse Covas.

Segundo ele, não haverá custo para o poder público, pois as próprias empresas vão pagar para fazer os procedimentos dos testes, que poderão ser realizados em determinados pontos da margem do rio ou em outro ambiente, parecido com o do Pinheiros. O local exato ainda será definido pelo governo.

Antes e depois dos testes, cada interessado deverá contratar um laboratório credenciado para analisar a composição química da água. O objetivo é "verificar se aquilo que está sendo prometido pelas empresas é efetivamente cumprido", disse Covas, sem, no entanto, dizer quando a retirada do odor do rio começa de fato.

Reações. A proposta de retirar o cheio do Rio Pinheiros divide opiniões. Para o presidente do Conselho de Segurança (Conseg) do Morumbi, Celso Cavalini, a proposta ataca a consequência do problema, não a causa. "É uma apelação midiática", afirma. "Todo o esgoto do lado de cá (a margem sul do Pinheiros) não tem tratamento. Vão fazer o quê? Contratar a Chanel?", afirma. "Não precisa de ninguém, de plano nenhum. Basta parar de jogar o esgoto no rio", diz.

Por outro lado, quem usa a ciclovia do Rio Pinheiros, e convive diariamente com o forte mau cheiro das águas, vê na medida um incentivo para o uso da faixa exclusiva. "Tem locais, como perto da Usina Traição, onde a água é mais parada, em que o cheio é muito forte. Quem usa a ciclovia diariamente não tem opção. Mas quem usa por lazer, geralmente, não volta lá depois", diz o cicloativista William Cruz.

Cruz afirma ainda que acredita que a própria existência da ciclovia foi um estímulo para acelerar as promessas de melhorias no rio. "Quanto mais gente usa (a rota exclusiva para bicicletas), mais gente reclama do cheiro."

Esgoto. Um grupo de trabalho já havia sido montado pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB) para tratar especificamente do mau cheiro do Rio Pinheiros, que passa ao lado de alguns bairros ricos de São Paulo, como Panamby, Morumbi e Pinheiros. O esgoto produzido por esses bairros, vale lembrar, é despejado no rio sem tratamento, o que é uma responsabilidade do governo.

Como as tecnologias previamente estudadas também se mostraram, em certa medida, eficazes no combate à poluição do rio, prática anteriormente restrita à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e à Emae, o comitê passou a abranger essa questão.

"A tecnologia utilizada pode ser de controle biológico, de controle físico-químico ou outras tecnologias já existentes", diz nota da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.

O grupo de trabalho, de acordo com Covas, também estabeleceu os prós e contras de cada tecnologia, além do custo de implementação e operação, os prazos deles e se geram lodo ou não. O secretário não soube dizer se a aplicação efetiva do produto escolhido começa ainda em 2013.

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