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Estado fecha convênio para recuperar 20 mil hectares em área de mananciais

- Atualizado: 26 Fevereiro 2015 | 23h 55

Parceria com a ONG TNC foca em quem desmata áreas prioritárias para ajudar na produção de água nas margens da Represa Ponte Nova, do Alto Tietê, e dos Rios Jaguari, Cachoeira e Atibainha, no Cantareira; captação de valores seria de até R$ 300 mi

Um convênio de cooperação entre o governo paulista e uma ONG internacional prevê captar até R$ 300 milhões de compensações ambientais devidas por empresas e produtores rurais para recuperar até 20 mil hectares de áreas degradadas nas regiões onde ficam as represas dos Sistemas Cantareira e Alto Tietê. Os dois maiores mananciais que abastecem a Grande São Paulo atravessam grave crise de escassez hídrica, provocada, entre outros motivos, pelo desmatamento de matas ciliares.

A parceria assinada pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Estado com a ONG The Nature Conservancy (TNC) vai concentrar a recuperação ambiental obrigatória para quem desmata em áreas consideradas prioritárias para ajudar na produção de água dos mananciais, como nas margens da Represa Ponte Nova, em Salesópolis, do Alto Tietê, e dos Rios Jaguari, Cachoeira e Atibainha, que abastecem os reservatórios do Cantareira. As áreas a serem recuperadas foram mapeadas pelo governo e por comitês das bacias hidrográficas.

No terceiro ano da maior estiagem já registrada no interior paulista desde 1890, o mais importante rio da Bacia do Piracicaba, que tem profundidade média no verão de 3,2 metros, está agora em 24 centímetros perto de sua foz, em Cosmópolis.

No terceiro ano da maior estiagem já registrada no interior paulista desde 1890, o mais importante rio da Bacia do Piracicaba, que tem profundidade média no verão de 3,2 metros, está agora em 24 centímetros perto de sua foz, em Cosmópolis.

Nesta quinta-feira, 26, o nível do sistema que ainda abastece 6,5 milhões de pessoas só na Grande São Paulo subiu para 11,1% da capacidade, com as chuvas de quarta, considerando duas cotas da reserva profunda das represas. Já o nível do Alto Tietê ficou estável em 18,3%. Ambos são os índices mais baixos da história para esta época, perto do fim do período chuvoso.

Para o especialista em recursos hídricos da TNC, Samuel Barrêto, a parceria “é uma das mais importantes iniciativas de restauração de mananciais já realizadas no Brasil” pelo tamanho da área que será recuperada, equivalente a 20 mil campos de futebol. “Vamos canalizar as medidas de compensação ambiental nas áreas prioritárias. Vamos ajudar o governo a identificar produtores rurais interessados em aderir ao projeto, de forma a criar um banco de propriedades disponíveis para receber a compensação ambiental”, afirma. Segundo ele, seria necessário plantar cerca de 40 milhões de árvores.

Apesar da dimensão do projeto, a área mapeada representa apenas 5% dos cerca de 400 mil hectares de mata nativa suprimida nas regiões do Cantareira e do Alto Tietê, cerca de 79% do total, segundo a ONG SOS Mata Atlântica. Barrêto ressalta, porém, que em todo o País o total de áreas restauradas não ultrapassa 150 mil hectares.

Segundo ele, a recuperação de apenas 3% das áreas desmatadas em pontos críticos - aproximadamente 14 mil hectares - seria suficiente para reduzir o assoreamento de rios e nascentes em até 50%. “Essa recuperação de mananciais vai aumentar a vida útil deles.”

Cadastro. O diretor do Centro de Restauração Ecológica da Secretaria do Meio Ambiente, Rafael Chaves, destaca que, além da recuperação de áreas essenciais nos mananciais usados para abastecimento público, o programa pretende reduzir o passivo de compensação ambiental no Estado. “Para isso é muito importante que os proprietários rurais façam a adesão ao Cadastro Ambiental Rural (CAR) obrigatório, cujo prazo termina em maio. Com todos os produtores cadastrados teremos um diagnóstico mais preciso de quais ações teremos de fazer e quantas mudas plantar.”

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