Estado encontra mais quatro macacos mortos no Horto Florestal

Estado encontra mais quatro macacos mortos no Horto Florestal

Dois primatas serão avaliados para saber se estão contaminados por febre amarela silvestre

Priscila Mengue e Paula Felix, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2017 | 12h49

A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo anunciou na manhã desta segunda-feira, 23, que encontrou mais quatro macacos mortos no Horto Florestal, na zona norte da cidade de São Paulo, desde a sexta-feira, 20. Dois animais foram enviados para análise que deve identificar se estavam contaminados por febre amarela silvestre. Os outros dois primatas, no entanto, não poderão ser avaliados devido ao estado de decomposição. Um macaco infectado pela doença já havia sido encontrado morto no local em 9 de outubro. O Horto Florestal e o Parque da Cantareira foram fechados após o diagnóstico da virose. 

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Segundo o secretário estadual da Saúde, David Uip, o Governo do Estado pretende imunizar 500 mil moradores dos três bairros do entorno, Cachoeirinha, Casa Verde e Tremembé. Ele ressaltou que as pessoas que frequentam o parque e moram em outras regiões não são parte do grupo prioritário, mas outras 500 mil vacinas estão reservada para este público. “A população deverá seguir a orientação sanitária. Não há a necessidade dessa busca por vacina, dessa corrida (por quem não mora nas áreas de risco), porque isso vai confrontar com aqueles que realmente precisam nesse momento”, declarou. “Nós vamos vacinar todos que forem necessários", declarou.

Segundo ele, como os mosquitos transmissores são silvestres, o risco de transmissão para humanos é “muito pequeno”. “Aqui no Estado de São Paulo, nós tivemos em 2017, 22 casos autóctones (contraídos no Estado), o que, se comparado com outros Estados, é um número muito pequeno”, declarou.  “A população pode ficar que a Secretaria de Estado da Saúde, a Secretaria do Meio Ambiente e o Governo do Estado farão o que for preciso para que as pessoas não se contaminem”, garantiu Uip.

"Acabo de ter uma conversa com o ministro (da Saúde) Ricardo Barros, que garante o envio das doses que nós precisarmos", declarou Uip, que afirmou que a União detém 14 milhões de doses. O secretária declarou, ainda,  que vai se reunir com o secretário de Vigilância em Saúde (SVS), Adeílson Cavalcante, para estabelecer os “critérios de envios de vacinas”. 

“A vacinação está garantida. Primeiro pelo nosso estoque (de 1,5 milhão) e, segundo, pelo ministro acaba de me autorizar até a divulgar isso. O Ministério tem 14 milhões de doses e nós vamos estar conversando tecnicamente a partir de hoje a tarde”, afirmou à imprensa.

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Na manhã desta segunda-feira, no entanto, o secretário municipal da Saúde Wilson Pollara fez uma transmissão ao vivo na página da pasta no Facebook na qual informou que 2,5 milhões de pessoas serão vacinadas em toda a zona norte da capital.

"Esse problema não é um surto ainda. Foi só encontrado um macaco morto em que foi confirmada a presença do vírus. Isso significa um alerta para que a gente programe uma ação de vacinação da população. Inicialmente, vamos fazer essa vacinação em círculos do local que foi encontrado o animal. Vão ser inicialmente vacinadas 500 mil pessoas dos primeiros 500 metros ao redor do local e, em seguida, nós vamos ampliando esse círculo até completar toda a região norte, que seriam 2,5 milhões de pessoas. Nós começamos (a vacinação) com quatro postos, vamos ampliar para 29 e, depois, 57 postos."

Segundo Pollara, o fornecimento das vacinas já está acertado com o Ministério da Saúde. Ele também afirmou que o horário de vacinação será ampliado em algumas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). "Vamos fazer o possível para ampliar o número de pessoas dentro dos postos que fazem a vacinação para aumentar a eficiência. Também vamos fazer a ampliação, em alguns postos, do horário de atendimento para aquelas pessoas que trabalham e que devem chegar à noite na região para que elas tenham acesso também."

Macacos

Uip ressaltou ainda que os primatas são sinalizadores do avanço da doença e que a população não deve atacá-los. “Isso é um absurdo. Primeiro por matar um macaco e, segundo, porque ele é o nosso agente de diagnóstico epidemiológico. Nós estamos nos antecipando muito por ter conseguido o diagnóstico através do macaco.”

Segundo o secretário estadual, a velocidade dos vetores é um “pouco maior do que nós imaginávamos”. “A febre amarela é uma coisa que nos preocupa muito e há muito tempo. Quem considerou a febre amarela erradicada, teve motivos para considerar, percebe hoje que o vírus talvez seja mais esperto e mais rápido do que as evidências. Por isso, que nós somos tão cautelosos e nos antecipamos muito. Esse vírus tem uma velocidade até surpreendente de passagem de um lugar para outro.”

Mutirão

Somente no sábado, 4,1 mil pessoas foram vacinadas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) Horto Florestal e Jardim Peri, além de uma unidade móvel que atendeu a população que mora dentro do parque. De acordo com a coordenadora de imunização da Secretaria Municipal de Saúde, Maria Lígia Ramos Nerger, estima-se que outras seis mil vacinas devam ser aplicadas apenas nesta segunda-feira. 

Na UBS Horto Florestal, cerca de 240 adultos e adolescentes aguardavam pela aplicação na manhã desta segunda, além de crianças. Também nesta segunda, a aplicação começou nas UBS Jardim Dionísia e Dona Mariquinha Sciáscia. Além disso, desde 10 setembro, também foi intensificada a vacinação no distrito de Anhanguera. O total de imunizados na região é de cerca de 30 mil pessoas, segundo Maria Lígia.

Vetor

A febre amarela silvestre é transmitida pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes, que costumam viver em copas de árvores. Por isso, os macacos são os principais atingidos pelos mosquitos, de acordo com a  coordenadora da Secretaria.

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