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Estado e Prefeitura trocam acusações sobre greve de ônibus em São Paulo

Bruno Ribeiro, Fabio Leite e Fernando Gallo - O Estado de S. Paulo

21 Maio 2014 | 22h 13

No segundo dia de paralisação, que fechou 15 dos 28 terminais e deixou veículos abandonados pelas vias, a categoria firmou um acordo para voltar a trabalhar nesta quinta

SÃO PAULO - A greve dos motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo foi suspensa nesta quarta-feira, 21, em meio ao bate-boca entre autoridades da Prefeitura e do Estado. No segundo dia de paralisação-surpresa, que fechou 15 dos 28 terminais e deixou veículos abandonados pelas vias, a categoria firmou um acordo para voltar a trabalhar nesta quinta.

No programa Brasil Urgente, da Band, no início da noite desta quarta, o secretário estadual de Comunicação, Marcio Aith, disse que era "uma hipocrisia" do secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, atribuir à Polícia Militar a responsabilidade de impedir a greve. Segundo ele, Tatto teria "ligação" com o setor de transportes. O petista disse que Aith tenta "criar um ambiente tortuoso na cidade".

O secretário da gestão Geraldo Alckmin (PSDB) acusou Tatto de obstruir uma investigação policial que apurava a queima de ônibus na cidade por não repassar informações solicitadas pela polícia sobre o assunto por meio de um ofício. Só neste ano, mais de 70 veículos foram destruídos na capital.

Aith disse que o secretário da gestão Fernando Haddad (PT) saberia que há investigações policiais sobre a atuação do crime organizado no setor. Segundo ele, o petista teria conhecimento de uma operação policial "recente" que desarticulou uma reunião entre donos de cooperativa de ônibus que tinha a participação de procurado da Justiça. Nela estaria também um deputado "muito próximo" a Tatto, que foi ouvido e liberado.

O petista rebateu Aith. "Acho que está tentando criar um ambiente tortuoso na cidade, que não é o caminho adequado." Sobre a resposta ao ofício da polícia, Tatto afirmou que as informações solicitadas eram públicas, mas não explicou por que o pedido não foi atendido. "É só uma questão burocrática. Ele está se apegando a isso para dizer que nós estamos obstruindo as investigações", alegou.

Tatto negou ter conhecimento da operação da polícia. "Em relação a essa reunião que teve envolvimento de um deputado, eu não tenho conhecimento. Sou deputado licenciado e não participei de nenhuma reunião em que tivesse ação policial."

Operação. O Estado obteve cópia de um boletim de ocorrência, de 17 de março deste ano, quando policiais da 6.ª Delegacia de Polícia de Investigações sobre Facções Criminosas e Lavagem de Dinheiro fizeram uma diligência na sede da Cooperativa Transcooper, em Itaquera, zona leste, para apurar a participação de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) nos ataques aos ônibus.

Na ocasião, cerca de 40 pessoas, entre motoristas e diretores da cooperativa, estavam reunidas, segundo a polícia, com a "finalidade de ajustar condutas teoricamente infracionais", entre eles "o deputado estadual Luiz Moura (PT), que foi liberado no local". "Há que ressaltar também que entre os convocados da reunião havia um procurado da Justiça, Carlos Roberto Maia, vulgo Carlinhos Alfaiate, famoso ladrão de bancos."

O Estado não conseguiu contato na noite desta quarta-feira com Luiz Moura. Em seu perfil de deputado, ele se diz presidente de honra da cooperativa.

Investigação. O Ministério Público Estadual (MPE) instaurou nesta quarta dois inquéritos civis para apurar a greve. De acordo com as ações, o movimento começou no dia 12 de maio, com paralisação de funcionários da VIP Transportes na Avenida M’Boi Mirim, na zona sul. O MPE considera que cabe à PM preservar o direito de ir e vir e deve empregar a força "se as circunstâncias justificarem seu uso". A Polícia Civil também instaurou inquérito para apurar o movimento grevista.

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