Espera por atendimento passa de 3h

Em pronto-socorro da zona norte de São Paulo, além da demora, funcionários dizem que faltam luvas, material cirúrgico e remédio

DAVI LIRA, O Estado de S.Paulo

05 Junho 2013 | 02h03

Macas com pacientes nos corredores, salas de emergência com falta de materiais cirúrgicos, ausência de médicos e demora de mais de três horas no atendimento - que deveria ocorrer de imediato - são alguns dos problemas enfrentados pelos pacientes no Pronto-Socorro do Hospital Geral Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte de São Paulo.

A unidade, administrada pelo governo estadual, foi uma das 71 fiscalizadas pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp). As deficiências identificadas pelo Cremesp foram confirmadas pelo Estado durante visita ontem à tarde.

A recepcionista Daniela Lemos Silva, de 36 anos, foi uma das pacientes que tiveram de lidar diretamente com os problemas do pronto-socorro. "Estava com uma dor muito forte na barriga por causa de uma cirurgia que fiz no esôfago. Como estava perto do hospital, resolvi ir ao pronto-socorro de lá."

A paciente esperou mais de duas horas para ser atendida. Durante o tempo de espera, Daniela informou sua situação para o marido. "Foi um absurdo. Quando cheguei ao corredor do pronto-socorro, dei de cara com ela sentada no chão. Ela acabou fazendo as necessidades na própria roupa. Tudo isso por falta de assistência", diz o marido de Daniela, Antônio Ferreira.

Mesmo depois de conseguir o atendimento, Daniela se mostrou insatisfeita com a qualidade do diagnóstico recebido. "A médica me atendeu de forma grosseira. Me arrependi de ter vindo para cá. Era melhor ter ido ao hospital particular."

E o caso de Daniela não é isolado. Pacientes que esperavam atendimento em ortopedia também reclamavam da demora, principalmente uma estudante de 14 anos. "Fui tentar fazer um salto mortal na escola de circo onde estudo, mas não consegui. Estou há mais de 3 horas, com muita dor, esperando o médico analisar o raio X", diz a jovem. Ela foi colocada em uma maca no meio do corredor enquanto esperava ser atendida.

Segundo uma enfermeira da unidade, que preferiu manter o anonimato, ainda faltam luvas e outros materiais cirúrgicos. "Ontem mesmo tivemos de cancelar uma cirurgia por falta de material. Além disso, muitas vezes não temos o Profenid (medicamento para alívio da dor). E a supervisão acha ruim quando colocamos na ficha do paciente que não demos o remédio porque estamos sem ele."

Outro funcionário afirmou que o atendimento é mais deficitário nos fins de semana. "Se durante a semana faltam ortopedistas e clínicos gerais, nos sábados e domingos temos pouquíssimos médicos disponíveis." Diante do quadro, cerca de dez funcionários resolveram entrar em greve por melhores condições de trabalho.

Outro lado. Consultada, a Secretaria de Estado da Saúde informou que, mesmo com a greve, "somente no pronto-socorro, cerca de 15 profissionais de diferentes especialidades atendiam na unidade". A pasta ainda nega a falta de materiais e medicamentos.

Sobre a espera de pacientes em macas nos corredores, a secretaria afirma que "isso pode ocorrer pontualmente quando há movimento atípico". Segundo a pasta, 75% dos atendimentos são de casos simples que poderiam ser resolvidos, por exemplo, nos postos de saúde.

A respeito da espera da jovem de 14 anos, a pasta diz que a demora ocorreu "porque a equipe de ortopedia foi deslocada para atender casos gravíssimos".

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