Espera por atendimento chega a 8h

No pronto-socorro do Hospital Regional de Sorocaba também faltam materiais básicos e até maca para transportar acidentados

Davi Lira, José Maria Tomazela / Sorocaba, O Estado de S.Paulo

05 Junho 2013 | 02h01

Macas com pacientes nos corredores, salas de emergência sem materiais cirúrgicos, ausência de médicos e espera de até oito horas por um atendimento que deveria ser imediato foram alguns dos problemas enfrentados pelos pacientes nos prontos-socorros do Hospital Geral Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte de São Paulo, e do Hospital Regional de Sorocaba.

As unidades foram 2 das 71 fiscalizadas pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp). As deficiências identificadas pelo Cremesp foram confirmadas pelo Estado durante visita ontem.

Com fortes dores no peito, o vendedor ambulante Elielson Fernandes, de 29 anos, foi levado pelo irmão para o PS de Sorocaba às 10h de ontem. Oito horas depois, continuava sentado em uma mureta, na entrada do prédio, sem atendimento. "Disseram que, se estou andando, meu caso não é grave", relatou.

Esse PS integra a estrutura do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), o maior hospital da região, que atende cerca de 3 mil pacientes por dia, de 49 municípios. Ambulâncias de prefeituras e de outros hospitais formam filas para que os pacientes possam desembarcar.

A demora no atendimento é apenas um dos problemas do PS do Hospital Regional de Sorocaba, mantido pelo Estado. É comum faltar equipamentos, materiais básicos e até de macas para transportar acidentados. O hospital passa por uma reestruturação, após a crise que o atingiu no final de 2011, quando a polícia prendeu 12 pessoas, entre elas diretores e médicos, por fraudes em licitação e pagamento por plantões que não eram feitos. Após ação, houve uma debandada de profissionais e até agora o quadro clínico não foi totalmente reposto.

Na capital. No Hospital Geral Vila Nova Cachoeirinha, também mantido pelo Estado, a recepcionista Daniela Lemos Silva, de 36, esperou duas horas para ser atendida. "Estava com uma dor muito forte na barriga por causa de uma cirurgia que fiz no esôfago", disse.

Daniela telefonou para o marido, que se indignou com a situação ao entrar no local. "Foi um absurdo. Quando cheguei ao corredor do pronto-socorro, dei de cara com ela sentada no chão. Ela acabou fazendo as necessidades na própria roupa. Tudo isso por falta de assistência", afirmou Antônio Ferreira.

Mesmo depois de conseguir o atendimento, Daniela se mostrou insatisfeita com a qualidade do diagnóstico recebido. "A médica me atendeu de forma grosseira. Me arrependi de ter vindo para cá. Era melhor ter ido ao hospital particular."

E o caso de Daniela não é isolado. Pacientes que esperavam atendimento em ortopedia também reclamavam da demora, principalmente uma estudante de 14 anos.

"Fui tentar fazer um salto mortal na escola de circo onde estudo, mas não consegui. Estou há mais de três horas, com muita dor, esperando o médico analisar o raio X", disse a jovem. Ela foi colocada em uma maca no meio do corredor enquanto esperava ser atendida.

Consultada, a Secretaria de Estado da Saúde negou falta de material e medicamentos no Cachoeirinha. Sobre a espera de pacientes em macas nos corredores, a secretaria afirmou que "isso pode ocorrer pontualmente quando há movimento atípico". Sobre a jovem de 14 anos, a pasta disse que a demora ocorreu "porque a equipe de ortopedia foi deslocada para atender casos gravíssimos".

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