Especialista culpa falta de 'valores sociais' por crime

A ação de jovens de classe média no mundo do crime deve ser tratada como uma questão social, não psicológica. Essa é a opinião dos especialistas ouvidos pela reportagem. Segundo o psiquiatra Ivan Mario Braun, médico do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), os valores sociais são determinantes para quem escolhe partir para o crime.

FABIANO NUNES, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2012 | 03h02

"De modo geral, podemos dizer que essas quadrilhas de classe média existem por causa de certos valores sociais, que mudaram muito de um tempo para cá. Os valores da sociedade estão direcionados para o dinheiro", observa Braun. "É preciso avaliar quais foram os valores nos quais esses jovens foram educados, quais foram as questões psicológicas, sociais, familiares. Esse tipo de situação tem mais uma causa sociológica do que psiquiátrica", avaliou.

Choque. O psiquiatra Daniel Martins de Barros, coordenador do Programa de Psiquiatria e Psicologia Forense do Instituto de Psiquiatria do HC, disse que as pessoas ficam chocadas quando percebem que um grupo de classe média decide praticar crime. "É uma avaliação preconceituosa de que o crime só é praticado por gente pobre, que necessita de dinheiro. O crime é mais um fator social do que psiquiátrico. O ladrão pode ser de classe média, alta, pobre. Essas pessoas podem ter agido por influência de um grupo, pode haver um desvio de personalidade. É muito mais uma atitude antissocial e sobre o caráter do que questão patológica", explicou.

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