TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
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Escolas de São Paulo criam blocos de carnaval e levam alunos às ruas

Festejo dos pequenos na cidade também conta com fantasias, abadás e marchinhas autorais

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2017 | 20h37

SÃO PAULO - Eles pesquisaram sobre o carnaval, confeccionaram fantasias e escreveram as músicas que cantariam. Não, eles não são organizadores de escolas de samba ou grandes blocos da capital paulista. São crianças a partir de 3 anos de colégios particulares e públicos de São Paulo que saíram às ruas para festejar o carnaval.

No colégio Saberes, na Vila Romana, zona oeste, os alunos de 3 a 6 anos transformaram camisetas brancas em abadás e fizeram adereços e bonecos gigantes. Nesta sexta-feira, 24, com um carro de som, o bloquinho com cerca de 70 crianças saiu pelo quarteirão.

“Temos uma proposta de resgatar a cultura popular entre as crianças e o carnaval não podia ficar de fora. Mas nós queríamos que eles tivessem uma experiência mais tradicional e, por isso, trouxemos a festa para a rua”, contou Andrea Canto, diretora. Para a maioria das crianças, esse é o primeiro contato com o carnaval de rua. 

Na escola Alecrim, em Pinheiros, na zona oeste, a festa foi transferida para a rua pois o espaço ficou pequeno. “É uma forma de as crianças vivenciarem a cidade e interagirem com outras pessoas, já que vizinhos e comerciantes também participam”, disse Joana Elkis, coordenadora. 

Com alunos de 1 a 14 anos, o colégio promove um concurso de marchinhas, que depois são gravadas nas aulas de música e tocam em um carro de som durante o desfile. 

A escola incentiva as crianças e os pais a irem fantasiados e a levarem bisnagas e borrifadores de água para brincar. Desde o ano passado, confetes e serpentinas são evitados. “Faz parte do aprendizado ocupar a rua e também cuidar dela. Se vamos para os espaços públicos, temos de mantê-los limpos.”

Nesta sexta, também as escolas estaduais Marina Cintra e Arthur Guimarães, ambas no centro, fizeram um desfile conjunto no Bloco de Emílias e Viscondes. Quem passou pela Praça Rotary encontrou muitas crianças fantasiadas de personagens do Sítio do Picapau Amarelo. 

“O trabalho começa nos primeiros dias de aula, com as crianças pesquisando sobre o carnaval e lendo as histórias”, disse Ernestina Bertholo, diretora da escola Marina Cintra. Depois, os alunos confeccionam suas próprias fantasias. 

A livreira Jaqueline Silva, de 34 anos, ajudou o filho Augusto, de 8 anos, a se fantasiar de Pedrinho. Ela contou apoiar o projeto por resgatar o carnaval de rua e incentivar a leitura. “As crianças ficam super animadas, brincam na rua e tudo isso dentro do contexto de um livro. É uma forma muito eficaz de mostrar que a leitura é divertida.”

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