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Entrou para o crime para pagar dívida e virou o 'rei' da Rocinha

Roberta Pennafort/RIO

11 Novembro 2011 | 03h 03

Ele chegou a ter 200 homens sob seu comando e é acusado de mandar executar e esquartejar seus inimigos

Preso pela primeira vez, apesar de ter atuado por uma década no tráfico da Rocinha, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, tem 35 anos e uma única condenação, a 8 anos e 4 meses de prisão, por associação para o tráfico, segundo o Tribunal de Justiça. A ele são atribuídos ainda os crimes de homicídio, sequestro e lavagem de dinheiro.

Nem entrou para o crime para pagar uma dívida que contraíra com traficantes da Rocinha. Assumiu a chefia em 2005, como sucessor de Erismar Moreira, o Bem-Te-Vi, depois de sua morte. Foi quando deixou de lado a postura assistencialista e passou a ser mais violento e autoritário, até coagindo a população a votar em seus candidatos durante eleições.

A polícia esteve perto dele várias vezes, mas, graças à rede de policiais a quem pagava propina, ele se informava sobre as operações e, protegido por seu "exército particular", armado de fuzil, escapava. A informação de que policiais poderiam dar fuga ao chefe do tráfico era tão forte que levou agentes da Corregedoria Interna da Polícia Civil à favela anteontem. Havia ainda um forte boato de que ele fugiria na viatura de uma delegacia especializada da Polícia Civil. Vivia encastelado no alto da favela, em uma casa com três andares, TV de plasma, academia de ginástica, piscina e uma bela vista para o mar. Para passar despercebido, Nem procurava mudar sempre o corte e a cor do cabelo.

Ele determinou a execução e o esquartejamento de inimigos. Entre suas vítimas estariam a modelo Luana Souza, de 20 anos, e uma amiga dela, Andressa Oliveira, de 25. Luana seria namorada de um policial e por isso teria sido assassinada. As duas sumiram em maio e os cadáveres nunca foram achados.

Das mais rentáveis. Estima-se que sua quadrilha tivesse 200 integrantes no morro, onde foi montada uma refinaria de cocaína, de onde saem cerca de 200 quilos de cocaína por semana - por sua localização, em São Conrado, facilmente acessível por cariocas e turistas, a Rocinha sempre teve as bocas de fumo mais rentáveis do Rio. Em abril, foram apreendidas lá três toneladas da droga.

PARA LEMBRAR

A ação mais ousada atribuída a Nem foi a invasão do Hotel Intercontinental, vizinho ao morro, durante uma fuga de um baile funk, em agosto de 2010, em que 35 pessoas foram feitas reféns. Sete meses antes, para escapar de vez de um cerco policial, ele já tentara até forjar a própria morte. Até um enterro chegou a ser organizado, mas o plano de fuga acabou descoberto pela polícia.

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