Enterro de publicitário morto por PMs é marcado por protestos

Parentes e amigos pediram justiça e cobraram respostas do governo

Isadora Peron - O Estado de S. Paulo,

20 Julho 2012 | 08h56

Atualizado às 11h40

São Paulo - O enterro do publicitário Ricardo Prudente de Aquino, de 39 anos, realizado às 10h desta sexta-feira no Cemitério Gethsemani, na Vila Sônia, zona sul da cidade, foi marcado por protestos de familiares e amigos.  Aquino foi baleado por policiais militares na noite de quarta-feira, no Alto de Pinheiros, zona oeste da capital,  após supostamente ter fugido de uma blitz .

"Que a sua morte não tenha sido em vão", disse a mãe do publicitário, a empresária Carmen Sacramento, no momento em que o filho era sepultado. "Faça-se justiça, faça-se segurança. Nossos filhos precisam de um mundo melhor", desabafou."Eu tenho netos, crianças que ainda estão crescendo. Nós não temos segurança nenhuma, temos medo da polícia", disse.

O pai da vítima, José Rubens Prudente de Aquino, também pediu justiça. Ele culpou o governo do Estado e a Secretaria Estadual de Segurança Pública pela morte do filho. "Não se pode ter alguém tão incompetente em uma administração", disse. Eles (o governo) botam pessoas que não estão à altura da obrigação que lhes é atribuída, gente que não tem preparo". Amigos e familiares do publicitário disseram que pretendem iniciar um campanha contra a impunidade.

Pouco antes do enterro, os presentes fizeram uma homenagem ao publicitário, colocando bandeiras com mensagens de despedida ao redor do túmulo. Elas foram dispostas em formato de coração.

A reportagem não constatou a presença de PMs no funeral. Ontem, um representante da corporação foi até a casa das vítimas pedir desculpas pelo ocorrido.

Morte. O publicitário Ricardo Prudente de Aquino foi assassinado depois de uma abordagem equivocada de três policiais militares, na Avenida das Corujas, próximo à Praça do Por-do-sol. De acordo com a PM, o publicitário foi baleado porque os homens confundiram o celular que carregava com uma arma.  A Polícia, que se desculpou com a família da vítima, afirma que ele deixou de parar em uma blitz, motivo pelo qual foi perseguido.

O publicitário não tinha antecedentes criminais e não foram encontradas armas em seu Ford Fiesta - apenas 50 gramas de maconha. Questionada durante o enterro se o filho era usuário da droga, Carmen se exaltou e negou com convicção. "Vocês sabem que foi plantado (colocado pelos PMs no carro). Um cara que é mergulhador, que faz tudo que ele faz, não usa nada disso." Cinco amigos do publicitário ouvidos pela reportagem também negaram veementemente que ele consumisse a erva. 

Além da existência ou não de maconha no carro de Aquino, a família não reconheceu o celular devolvido pela polícia como sendo o da vítima. Um telefone visto na mão do publicitário de fora do carro foi confundido com uma arma pelos policiais e teria motivado os disparos, segundo a versão que apresentaram.

Os três PMs envolvidos na ação, com idades entre 26 e 30 anos, foram presos em flagrante e levados ao Presídio Militar Romão Gomes, no Tremembé, zona norte da capital. Eles responderão por homicídio doloso - com intenção de matar. O caso foi registrado no 14º DP (Pinheiros).

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