Empresário é monitorado por suspeita de ligação com terrorismo

SOROCABA - 

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

03 Junho 2016 | 19h34

Suspeito de ligações com terroristas, o empresário libanês Ibrahim Chaiboun Darwiche, de anos, usa tornozeleira há uma semana e está sendo monitorado pela Polícia Federal, em Chapecó, interior de Santa Catarina. Darwiche, que é dono de um restaurante na cidade, está proibido de adquirir ou portar armas, ter acesso a explosivos e não pode viajar sem comunicação prévia à PF. Ele também não pode frequentar aeroportos e escolas e sua comunicação pela internet ou telefone está sendo controlada.

    O empresário ficará sob vigilância pelo menos até os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em agosto deste ano. A ordem partiu da juíza substituta da 2.a Vara Federal de Chapecó, Heloisa Menegoto Pozenatto, atendendo a pedido do Ministério Público Federal (MPF). Investigação da Polícia Federal, revelada pelo jornal Folha de São Paulo, apontou que Darwiche adotou um comportamento diferente depois de viajar para a Turquia, no início de 2013. Ouvido pela PF, sua mãe relatou que ele aparentava estar sob influência de outras pessoas.

    O empresário alegou não ter saído de Istambul durante o período no exterior, mas a PF apurou que ele ficou 87 dias na Síria, em uma cidade tomada pelo Estado Islâmico. O fato que levantou as suspeitas iniciais foi a postagem de um vídeo na internet enaltecendo a ação terrorista contra a revista de humor 'Charlie Hebdo', em Paris, em janeiro de 2015, matando 12 pessoas. A postagem fez com que ele fosse afastado do Instituto Latino Americano de Estudos Islâmicos (ILAEI), com sede em Maringá (PR). O vídeo foi retirado das redes sociais.

    Uma funcionária do Instituto que pediu para não ser identificada contou que Darwiche fazia um curso sobre a religião islâmica. “Era um curso online, mas a gente não o formou. Depois que saiu o vídeo, que foi considerado completamente inadequado e ofensivo, nós o desligamos”, disse. Na investigação, a PF descobriu que ele vinha tendo aulas de tiro e mostrava potencial para atividades terroristas. Um manual encontrado em sua casa trazia informações sobre as técnicas de 'sniper' – atirador de elite. O pedido do MPF menciona que ele estaria se preparando para ser um integrante da “guerra santa muçulmana”.

     Darwiche foi procurado por telefone em seu restaurante, o Ali Baba, mas funcionários informaram que ele falaria sobre o caso. O MPF de Chapecó informou que a investigação ainda não foi encerrada, por isso o procurador não se manifestaria. “É um caso sensível e está sob sigilo”, informou a assessoria. A Justiça Federal informou que emitiria uma nota a respeito, o que não havia ocorrido até o início da tarde. 

       A juíza Heloisa confirmou o caso e informou que há sigilo em torno das investigações, mas disse que se trata de medida preventiva. “É uma medida de precaução”, afirmou. A decisão foi dada no último dia 24 e o empresário usa tornozeleira desde o dia 27. A medida, tomada com base no Código de Processo Penal, segundo a juíza, leva em conta a preocupação das autoridades brasileiras e internacionais com o risco de ações terroristas durante as Olimpíadas.

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