Empresa que deu calote em alunos fecha as portas

Trip & Fun também anunciou que vai reembolsar clientes 'após reestruturação'; especialistas recomendam aos prejudicados que procurem a Justiça

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2012 | 03h02

Há dias sem dar satisfação aos clientes, a operadora de viagens Trip & Fun respondeu a um ofício enviado pela Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav) anunciando que suspendeu suas atividades operacionais e vai reembolsar os clientes "após a reestruturação da empresa". A Trip & Fun cancelou duas vezes viagem de estudantes para Cancún e lesou outras centenas de pessoas com pacotes comprados e já pagos.

Especialistas em Direito do Consumidor dizem que agora só a Justiça resolve o caso. "Não existe mais local físico onde encontrar a empresa, então é preciso acioná-la judicialmente em função do fechamento e até pedir a desconstituição da pessoa jurídica, promovendo a ação em nome dos sócios", diz o advogado Paulo Roberto Esteves.

Para a professora de Direito do Consumidor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, Flávia Hellmeister Dórea, a nota da empresa dizendo que vai ressarcir clientes após reestruturação "não faz sentido". "O reembolso tem de acontecer da maneira mais célere possível - não apenas devolução do dinheiro da viagem, mas uma indenização integral por danos morais", afirma.

"É possível que a empresa esteja em processo de falência. Nesse caso, os sócios terão de responder pelos danos. Por isso é importante que os consumidores busquem a Justiça o mais rapidamente possível, pois o patrimônio dos sócios também pode estar se esvaziando", completa Flávia.

Com viagem marcada pela Trip & Fun para as 5 horas de ontem, adolescentes foram na madrugada ao Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. Sem sucesso: não havia o nome de nenhum deles na lista de embarque da empresa aérea, tampouco no voo programado. Seria uma viagem de 120 estudantes.

"Fizemos boletim de ocorrência e vamos procurar um advogado para entrar com ação. O pacote custou R$ 5 mil. Tem gente pagando parcela desde agosto", disse a dentista Soraya Zanatta Sena, mãe de Natália, de 17 anos. / COLABOROU RICARDO VALOTA

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