Empresa oferece ‘delivery’ para quem bebeu

Motorista vai ao bar e leva o cliente em seu próprio carro até em casa; serviço é inspirado em prática estrangeira

Diego Cardoso, O Estado de S.Paulo

22 Março 2013 | 23h05

Enquanto os bares tentam recuperar os clientes afugentados pelas novas regras da Lei Seca, os motoristas procuram opções para aproveitar a noite sem culpa. O bancário Felipe Smid foi ao Melograno, na Vila Madalena, no último domingo, sem a intenção de beber. Lá, viu o flyer do SaideraClub, serviço criado em fevereiro em que um motorista particular vai ao bar e conduz o veículo do cliente até em casa. Como mora na região do Jardim Marajoara, fez as contas e decidiu experimentar a novidade. "Se eu vou de taxi, fica bem mais caro. Fora que meu carro veio junto, não preciso ir buscá-lo no estacionamento. Fiquei bem mais sossegado."

Além de vir na onda da Lei Seca, o SaideraClub foi inspirado no ScooterMan: uma empresa estrangeira de personal chauffeur. Lá, os motoristas vão até o bar com uma scooter desmontável, que cabe no porta-mala do veículo do cliente. "No Brasil, se você pegar um automóvel de porta-malas pequeno, não consegue guardá-la e executar o serviço", explica Julio Cesar Martins, um dos sócios da empresa.

No lugar da moto, Martins usa um carro com cinco motoristas - um deles fixo, responsável por buscar os colegas, e outros quatro livres para atender as demandas. O chauffeur vai até o cliente e faz um check-in do veículo, marcando todos os riscos, partes amassadas e objetos pessoais encontrados no automóvel para que não haja problemas ou reclamações. Ele leva o cidadão para casa, liga para a central e é resgatado pelo condutor de plantão.

O sócio da SaideraClub, Julio Cesar Martins, explica como funciona o serviço de personal chauffeur brasileiro aqui.

O motorista interessado no SaideraClub pode contratar o serviço antes de sair de casa ou chamá-los de última hora, por um valor mais elevado, no modelo chamado de SOS. Julio Cesar Martins diz que está negociando com duas grandes cervejarias nacionais para tentar patrocinar parte do custo e reduzir o preço para os baladeiros em busca de segurança. A equipe contratada conta com mais de vinte pessoas trabalhando - entre elas, motoristas que, segundo Martins, têm experiência no volante.

Nas quartas e quintas-feiras, a empresa recebe entre sete e doze chamados. Já no final de semana, Martins chega a atender 25 pedidos de transporte. Só na Vila Madalena, quatro bares estão negociando uma parceria com o personal chauffeur de baladas. No Melograno, o sócio-gerente Sidnei Domingues oferece o serviço aos clientes e, se houver interesse, pode passar o valor no próprio sistema de cobrança, repassando depois o dinheiro para o SaideraClub. "Posso até dar um voucher de cortesia, dependendo de quanto for gasto aqui." Segundo ele, foi umas das alternativas que surgiram depois do fortalecimento da Lei Seca. "É aquela coisa: enquanto alguns choram, outros investem e vendem o lenço."

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