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Em táxi de luxo de São Paulo, motorista fala até mandarim

Ex-boxeador aprendeu o idioma em um curso de dois anos para atender a executivos chineses; agora ele investe no árabe

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Rafael Italiani,
O Estado de S. Paulo

18 Janeiro 2016 | 02h55

SÃO PAULO - Existe um mercado restrito de táxi em São Paulo voltado para altos executivos e funcionários de embaixadas que é composto por carros pretos blindados e motoristas que falam, além de inglês e espanhol, idiomas como alemão, italiano e até mandarim.

Segundo a Secretaria Municipal de Transportes, a capital tem 162 veículos do serviço de luxo, o que representa 0,5% do total da frota de táxis de São Paulo. Entre eles, está o do motorista Sérgio Ricardo Custódio, de 53 anos, que aprendeu a falar chinês em um curso de dois anos.

“Resolvi estudar mandarim por causa dos Brics (bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Tinha uma aliança muito forte que enfraqueceu por causa da questão financeira mundial. Na Vila Olímpia, há muitas empresas com proprietários chineses”, diz o taxista – que é ex-boxeador e já viajou o mundo para lutar.

Ex-motorista dos tradicionais carros brancos, ele partiu para o mercado de luxo regulamentado pelo Departamento de Transportes Públicos (DTP) da Prefeitura porque a tarifa paga pelo passageiro é 50% maior e também por já falar inglês há 30 anos. Dono de um Hyundai Azera importado, avaliado em mais de R$ 160 mil, ele disse que sua renda aumentou em 200%.

“Foi um salto lógico. Apesar de eu morar no Itaim, só comecei a viver as facilidades do bairro depois que migrei para o táxi de luxo”, conta Custódio. Ele afirma que o único investimento que ele faz “é em cultura”. Por isso, hoje, ele estuda o idioma árabe.

Custódio é filiado à Cooperluxo, que tem como porta-voz o também taxista Nilson Carvalho, de 46 anos, o primeiro de São Paulo a ter um carro blindado – hoje são dez veículos assim na entidade.

“O passageiro que a gente transporta se sente mais seguro nesse tipo de veículo. Todos os proprietários de carros blindados também têm curso de direção defensiva e contra sequestros”, relata. Ele fala inglês e espanhol e atende a consulados em São Paulo. Em 2013, o serviço diferenciado que ele presta lhe rendeu um prêmio da Câmara de Comércio França-Brasil. Viajou para Paris com tudo pago.

Sem competição. Os 5 mil novos táxis pretos não devem competir com os de luxo, segundo a Cooperluxo. Os carros da nova categoria são avaliados em cerca de R$ 65 mil. “Os nossos passam de R$ 165 mil e temos um público muito específico”, relata Carvalho.

Se a nova categoria não vai competir com os 162 carros luxuosos da capital, ao menos a gestão Fernando Haddad (PT) vai aumentar a sua arrecadação. Em média, um táxi paga R$ 300 de taxas todo ano. Com os novos alvarás, haverá uma injeção de R$ 1,5 milhão nos cofres da Prefeitura.

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