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Em Santos, megaprédio causa polêmica

ADRIANA FERRAZ - O Estado de S.Paulo

28 Julho 2012 | 03h 06

Moradores querem evitar construção de edifício que terá 33 andares e 471 apartamentos na avenida da praia

O lançamento de um megaprédio com 471 apartamentos em uma torre de 33 andares na orla de Santos ainda não saiu do papel, mas já virou polêmica na cidade. Grupos de moradores contrários à construção organizam manifestos na internet e reivindicam obras de contrapartida para reduzir os impactos no tráfego já pesado da Avenida Presidente Wilson, além da redução da área construída para proteger o "horizonte" da cidade.

Idealizado pela Yuny Incorporadora, o projeto tem conceito de múltiplo uso: oferece apartamentos residenciais, corporativos (no estilo flat) e serviços variados, como spa e governança, além de uma loja conceito do Pão de Açúcar no térreo. Mas o grande atrativo, segundo a construtora, é o design, inspirado no padrão arquitetônico de Miami, nos Estados Unidos, com vidro na fachada e quase todos os apartamentos com vista para o mar.

Para os paulistanos, o lançamento sugere um visual bastante conhecido: o projeto lembra as curvas do mais famoso edifício de São Paulo, o Copan, de Oscar Niemeyer. E a semelhança não é apenas visual. O megaprédio de Santos também terá unidades de metragem variada, de 45 m² a 130 m², com preços que passam de R$ 1 milhão.

Proteção. A associação de moradores do bairro Pompeia, onde será levantada a torre, já protocolou petição no Ministério Público Federal para tentar barrar o projeto. O grupo calcula que o edifício terá pelo menos o dobro da altura dos demais prédios e provocará uma enorme sombra na orla, prejudicando a qualidade de vida no entorno.

"Além disso, o megaprédio ficará ao lado de uma construção de 1920, que é tombada pelo patrimônio histórico. Do outro lado, está o meu prédio, que já está tombado. Se não podemos evitar a construção, queremos que haja um cuidado muito grande durante a obra", diz a aposentada Elizabeth Biace, de 67 anos.

A prefeitura de Santos exigiu da construtora relatório técnico das edificações vizinhas, para prevenir possíveis abalos. Segundo a Secretaria Municipal de Planejamento, a construção será acompanhada de perto pela administração, assim como a execução das contrapartidas.

O pacote inclui substituição de semáforos e revitalização da sinalização horizontal. Não estão previstas novas faixas de tráfego para suportar a demanda causada pela nova torre, que terá 585 vagas de estacionamento no subsolo. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego de Santos, 60 mil carros transitam pela Avenida Presidente Wilson em dias de semana.

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