Em saídas de SP, polícia vai usar bafômetros

São cerca de 1.100 dispositivos espalhados pelos 22 mil km de rodovias estaduais

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2011 | 03h04

O verão 2012 será o mais vigiado da história das rodovias paulistas. Além de radares fixos e bafômetros, a Polícia Militar Rodoviária terá tablets conectados à internet para passar informações aos policiais e, pela primeira vez, aparelhos embarcados nas viaturas que leem as placas de carros e checam se estão com a documentação em ordem.

Somando radares fixos, móveis, tablets e bafômetros, o "arsenal tecnológico" terá cerca de 1.100 dispositivos espalhados pelos 22 mil quilômetros de rodovias estaduais. Todas as saídas da capital terão agentes com bafômetros. São 117 aparelhos, segundo o primeiro tenente Moacir Mathias, porta-voz do Comando de Policiamento Rodoviário de São Paulo, que participou ontem do programa Metrópole na Rádio Estadão ESPN.

Além dos aparelhos comuns, agentes usarão cinco dos chamados "etilômetros passivos" - bafômetros que detectam se o motorista bebeu sem a necessidade de ele assoprar o aparelho. A compra de mais bafômetros desse tipo ainda depende do Departamento de Estrada de Rodagem (DER), segundo a Polícia Rodoviária, que não divulgou em que locais eles serão utilizados.

Radares móveis. A principal novidade nas estradas, entretanto, são 62 radares móveis que, diferentemente dos aparelhos comuns, não foram projetados para autuar excesso de velocidade. Em um tripé com câmera, computador e teclado, essas máquinas leem as placas de carros abordados por policiais e dizem, na tela, se o IPVA e o licenciamento do veículo estão atrasados - se tiverem, o veículo pode ser apreendido.

O princípio é o mesmo dos cerca de 40 radares fixos já instalados nas rodovias que têm Leitores Automáticos de Placas (LAPs). A diferença é que os aparelhos fixos também flagram velocidade acima da média.

Os radares móveis ainda estão em fase de teste. "A realidade da viatura é um pouco diferente (da dos radares fixos). Esses aparelhos têm de funcionar sob sol, chuva, neblina. Por enquanto, (os testes) são positivos", afirma Mathias. A expectativa é de que os aparelhos, comprados pelo DER, estejam nas rodovias já no mês que vem.

As viaturas sem radares móveis terão outro tipo de aparelho para também fazer consultas em tempo real sobre a situação documental dos veículos. São 350 tablets comprados pela PM. Sua função é a mesma do radar móvel. Só que será preciso que o policial digite a placa do veículo averiguado para obter as informações.

Os tablets se comunicam com o banco de dados da Polícia Militar Rodoviária por meio de uma conexão 3G, a mesma dos celulares com internet. "Mas é uma conexão segura", garante o porta-voz da PM.

Esse aparato voltado aos veículos com documentação irregular já foi responsável, apenas entre janeiro e setembro deste ano, pela apreensão de 44 mil veículos nas rodovias estaduais. Além da eventual documentação irregular, os equipamentos eletrônicos transmitem informações gerais do veículo - como modelo, cor, ano de fabricação e nome do proprietário. Assim, é possível ainda descobrir se o carro vistoriado foi clonado, por exemplo, ou mesmo se há boletim de ocorrência registrado sobre roubo ou furto do automóvel.

"O que é interessante que a população saiba é que a Polícia Militar Rodoviária consegue fazer monitoramento de todas as rodovias do Estado. O veículo passa pela rodovia e teremos condições de fiscalizar tanto questões administrativas (documentação) quanto a questão criminal", acrescenta o porta-voz do Comando.

Acidentes. A Polícia Militar Rodoviária pede que os motoristas redobrem a atenção quanto às condições de segurança do veículo, como freios e lanternas. No último réveillon, 40 pessoas morreram nas estradas. No ano passado, foram 19.

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