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Em queda, nível de água do Cantareira atinge 15% da capacidade

Fabio Leite - O Estado de S. Paulo

17 Março 2014 | 10h 55

Medição da Sabesp aponta novo recorde negativo do sistema que é a principal fonte de abastecimento de água da Grande São Paulo

SÃO PAULO - O nível de água no Sistema Cantareira atingiu novo recorde negativo nesta segunda-feira, 17. Medição feita pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) aponta que o volume armazenado no principal manancial que abastece a Grande São Paulo e a região de Campinas caiu para 15% da capacidade. Ontem, o índice estava em 15,2%. Há um ano, o nível era de 58,9%.

O volume do Cantareira continua em queda mesmo após a adoção de uma série de medidas tomadas pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) para tentar evitar o racionamento de água generalizado nas duas regiões. Entre elas estão o plano de desconto na conta para quem reduzir o consumo, a redução em ao menos 10% do volume de água retirado do Cantareira, e o remanejamento de água dos sistemas Alto Tietê e Guarapiranga para cerca de 3 milhões de pessoas.

A Sabesp também reduziu em 15% da oferta de água vendida no atacado na Grande São Paulo. Após a medida, Guarulhos anunciou na semana passada o início do esquema de rodízio de abastecimento na cidade, a segunda mais populosa do Estado. Bairros da capital, em especial na zona norte, também sofrem há semanas com falta de água à noite. A Sabesp, porém, nega que haja racionamento.

Em seu relatório diário, o comitê anticrise que monitora o Cantareira aponta que o "volume útil" de água armazenada nas represas Jaguari e Jacareí, que correspondem a 82% da reserva de todo o manancial, chegou a 8,9% da capacidade, a mais baixa da história. Diante desse cenário, o grupo estima que o volume útil de todo o sistema se esgote em julho, durante a Copa do Mundo.

Por causa disso, a Sabesp deve instalar equipamentos para iniciar a captação de água do chamado "volume morto", cerca de 400 bilhões de litros que ficam no fundo dos reservatórios, abaixo do nível das bombas. Segundo a companhia, a operação deve entrar em funcionamento em maio a um custo estimado em R$ 80 milhões.