Em Paris, procura não para de crescer Prefeito tentou frear aluguel

Agência traduziu site e viu brasileiros passarem de 2% a 20% da clientela

O Estado de S.Paulo

15 Julho 2012 | 03h04

Famosas pelas altas diárias, cidades como Paris, Londres e Nova York já "lançaram" há algum tempo hospedagem em casas de aluguel por temporada para brasileiros. Nem sempre oferecem uma contrapartida no quesito tamanho, mas, no preço, geralmente saem de 10% a 20% mais baratos do que hotéis.

Um estúdio de 25 metros quadrados em Paris, por exemplo, pode sair por 70 - não muito maiores, os quartos duplos de hotel dificilmente saem por menos de 100.

"A vantagem é que no apartamento você se sente um parisiense, vai à padaria ao lado, conversa com o vizinho", diz Roberto Haenel, brasileiro que mora na França há mais de 20 anos e aluga apartamentos mobiliados na capital.

A porcentagem de brasileiros no total de clientes cresceu de 60% para 90% nos últimos dois anos. "Antes, o brasileiro que vinha a Paris pertencia a uma classe social específica. Hoje não tem mais isso. É democrático, tem gente de todos os perfis: intelectuais, o pessoal do mundo da moda, famílias inteiras", diz Haenel, que mantém o site www.meuparis.com em três línguas: francês, inglês e português.

Renato Ramos, outro brasileiro que mora em Paris e é corretor da Habitat Parisien, também propôs à empresa fazer uma versão do site em português. Deu certo. "A demanda de brasileiros só aumenta. Antes representava apenas 2% dos clientes. Chegou a 20% e vai crescer mais até o fim do ano", diz Ramos.

Experiência. A coordenadora do curso de Turismo da Universidade Anhembi-Morumbi, Andrea Nakane, afirma, porém, que esse tipo de hospedagem não é para todo mundo.

"Funciona melhor para o viajante que já conhece o destino, já ficou em hotel e quer uma coisa diferente", diz. "Para os europeus, é uma forma de hospedagem muito tradicional. É uma questão de tempo para se tornar comum para o brasileiro também", diz. / NATALY COSTA

Em 2010, a falta de residências com preços acessíveis no centro da capital francesa, um dos metros quadrados mais caros do mundo, fez o prefeito Bertrand Delanoe tomar uma medida drástica para aumentar a oferta na cidade: uma caçada ao aluguel por temporada.

A prefeitura começou a enviar cartas a proprietários alertando que quem alugasse a casa por períodos curtos estaria sujeito a processo na Justiça e multa de até 25 mil. Em caso de reincidência, a multa seria ainda mais pesada e chegaria a 1 mil por metro quadrado por dia.

A lei municipal proíbe contratos de aluguel de menos de um ano sem autorização. Mas, enquanto havia oferta, não havia punição. A investida da prefeitura também é feita sobre aqueles proprietários que alugam imóveis informalmente.

1. Antes de alugar, procure referências da empresa ou do proprietário, leia as opiniões dos clientes na internet ou siga a recomendação de alguém próximo a você que já se hospedou na casa ou usou os serviços da mesma empresa.

2. Desconfie de fotos que mostram apenas detalhes da casa ou do apartamento. Peça imagens gerais do lugar, desde a fachada até os cômodos. Se tiver o endereço, uma dica é "passear" pela rua da casa no Google Street View.

3. Evite fazer depósitos ou transferências bancárias, sobretudo quando a negociação é direto com o proprietário, sem o intermédio de empresa. Prefira fazer os pagamentos com cartão de crédito, que pode ser bloqueado no primeiro sinal de fraude.

4. Ter uma conta no PayPal - sistema de pagamento online considerado bastante seguro e usado por grandes sites de compras, como eBay - ajuda, mas a empresa precisa aceitar transações feitas nesse sistema. O cadastro é gratuito.

5. Compare o preço de vários imóveis similares antes de fechar negócio e desconfie de algum que estiver muito abaixo do valor cobrado pelos concorrentes. Pesquise preços com antecedência para encontrar mais ofertas.

6. Mesmo que a reserva seja totalmente feita online, pelo site, procure trocar e-mails ou até telefonemas com alguém da empresa. Todas as informações servem de documento no caso de algum aluguel se revelar um golpe ou propaganda enganosa.

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