Em Itu, sumiço de relíquia imperial vira alvo de inquérito

Em 1822, meses antes de proclamar a Independência, d. Pedro de Alcântara teve sua autoridade contestada por integrantes do governo provisório do Brasil, o que levou a Câmara de Itu, em São Paulo, a firmar um pacto de lealdade ao príncipe regente. A iniciativa foi seguida por outras câmaras e, no ano seguinte, em reconhecimento, o já imperador d. Pedro I editou uma carta régia concedendo a Itu o título de "Fidelíssima". O problema é que o certificado da honraria, de 17 de março de 1823, desapareceu.

José Maria Tomazela, SOROCABA, O Estado de S.Paulo

29 Abril 2010 | 00h00

O documento foi visto pela última vez na Câmara Municipal, nos anos 1970. Restou vazio o tubo de madeira que o guardava.

Agora, o Ministério Público Estadual quer saber onde foi parar o certificado. Com base na representação de um cidadão, o promotor Amauri Arfelli abriu inquérito civil público. Ele considera o desaparecimento uma lesão ao patrimônio. Itu é a única cidade brasileira a ostentar o título.

A Câmara foi notificada para prestar esclarecimentos e criou uma comissão para apurar o caso. O historiador Jonas Soares de Souza, ouvido pela Câmara, sugere que o título seja resgatado na fonte original. Ele disse acreditar que a carta régia pode ser encontrada no Arquivo Nacional, no Rio.

O promotor entende que uma cópia atual não tem o mesmo valor que o documento da época. Ele apurou que o título havia sumido anteriormente e fora resgatado, em 1958, pelo ituano Paulo Carlos Mansur, de um colecionador de Lavras (MG).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.