ERNESTO RODRIGUES/ESTADÃO
ERNESTO RODRIGUES/ESTADÃO

Em despedida, Doria cita importância de ‘alinhamento’ entre Estado e Prefeitura 

Ex-prefeito afirmou que ‘entende’ e ‘respeita’ pessoas que não gostaram de sua saída do cargo

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

06 Abril 2018 | 19h12
Atualizado 06 Abril 2018 | 21h29

SÃO PAULO - Em seu último dia como prefeito de São Paulo, João Doria disse que “entende” e “respeita” os eleitores que “desaprovam” sua saída da Prefeitura para concorrer ao cargo de governador do Estado, e justificou sua decisão como sendo “fundamental” para garantir o alinhamento entre o Município e o Estado. Em sua última coletiva, já após enviar a carta de renúncia à Câmara Municipal, ele cobrou apoio eleitoral de Geraldo Alckmin (PSDB), que também deixou o cargo nesta sexta-feira, 6, e tem como vice outro pré-candidato ao governo, Márcio França (PSB). 

Doria afirmou que entende e respeita o sentimento de parte da população que desaprova sua decisão de deixar o governo após cumprir 15 dos 48 meses de seu mandato. Em um vídeo de oito minutos, apresentado a jornalistas nesta sexta e que seria divulgado em suas redes sociais, o prefeito apresentou seu balanço de 15 meses de mandato. 

“Entendo e respeito o sentimento de quem desaprova minha saída da Prefeitura. Aliás, foi uma decisão muito difícil. Mas tenho de dizer que é fundamental que a Prefeitura e o governo do Estado de São Paulo estejam alinhados, trabalhando juntos, de forma integrada”, afirmou. O vídeo foi encerrado com o gesto e a frase “acelera, São Paulo”, que Doria estava proibido de fazer enquanto prefeito por um entendimento do Ministério Público, aceito pela Justiça, de que a ação tinha como fim sua promoção pessoal.

Doria também cobrou apoio político de Alckmin. “Ele já expressou várias vezes que o candidato dele é o candidato do PSDB. E nós somos o candidato do PSDB, eleito por prévias”, afirmou, ao destacar que obteve 80% dos votos durante as prévias partidárias, em março. “Com todo o respeito ao governador Geraldo Alckmin e a aquilo que ele pensa e opina, nós vamos fazer uma campanha para ganhar as eleições. E vamos ganhar do atual governador, Márcio França.” E continuou: “Vamos trabalhar para vencer as eleições, conquistar e preservar o legado do PSDB de Geraldo Alckmin, José Serra, Mario Covas e de Franco Montoro”. 

A afirmação se deu após questionamento feito a Doria sobre entrevista dada nesta sexta por Alckmin, à Rádio CBN, em que o agora ex-governador não se posicionou quanto questionado se apoiaria França ou Doria e afirmou que um ano de mandato era pouco para fazer avaliações.

Transição. Doria fez uma reunião fechada com seu primeiro escalão em que assinou a carta de renúncia, entregue ao presidente da Câmara, Milton Leite, às 16 horas desta sexta. Em seguida, convocou jornalistas para sua última entrevista coletiva e para apresentar o vídeo com seu balanço. O vídeo apresentou a versão do prefeito para alguns dos indicadores de políticas públicas da cidade.

Leite, presente na coletiva, afirmou que iria esperar o anúncio dos novos nomes no secretariado municipal antes de avaliar possíveis mudanças na relação entre o Legislativo municipal e a Prefeitura. Doria encerrou a entrevista fazendo críticas à cobertura de sua gestão feita pela imprensa. Afirmou que em alguns momentos a mídia foi injusta com ele e cobrou que jornalistas reconhecessem seus erros. “É bom que pelo menos uma parte da mídia brasileira faça um pouco da reavaliação e tenha consciência de que também pode errar.”

 

 

 

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