Em 4h, bairro tem o nº de mortes do segundo trimestre

DP do Jaçanã já aparece entre os oito com mais homicídios neste ano; na rua da chacina, até crianças narram detalhes dos crimes

O Estado de S.Paulo

27 Julho 2012 | 03h01

Os sete assassinatos cometidos no Jaçanã entre 21h30 e 1h30 igualaram o número de homicídios registrados no bairro em todo o segundo trimestre deste ano. No 73.º DP, verificou-se 1 morte em abril, 4 em maio e 2 em junho. Mesmo sem considerar as sete mortes ocorridas em julho, o bairro do Jaçanã já havia sido considerado um dos mais violentos da cidade no ano, com 16 assassinatos, que garantiram o 8.° lugar no ranking entre os mais violentos da cidade.

O secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, disse que a polícia está atenta a tudo o que está ocorrendo. "Tivemos hoje uma reunião no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Lá é um local com muitas biqueiras, lugares de venda de droga", disse.

O diretor do DHPP, Jorge Carrasco, disse que ainda não era possível afirmar se os sete assassinatos da zona norte estão ligados. "Trabalhamos em busca da autoria e da motivação. Enquanto não identificarmos esse elemento da investigação, não poderemos dizer o que aconteceu. Estamos considerando todas as hipóteses para o caso. As pessoas resistem em depor, mesmo quando o sigilo é garantido. Isso aumenta o desafio das investigações", disse.

Até ontem à noite, a Polícia Militar afirmou que a corregedoria da corporação ainda não havia sido solicitada a trabalhar na apuração das mortes no Jaçanã, "em virtude de não ter sido comprovado o envolvimento de PMs no caso, conforme resultados parciais das investigações". A tensão no bairro continua e pode ser identificada no Centro de Integração e Cidadania, onde há uma base da PM. Carros e policiais fortemente armados guardavam ontem a entrada do local.

Rua das Flores. Na rua onde dois jovens foram mortos na madrugada de ontem, oito meninos com menos de 10 anos jogavam bola na rua à tarde. Eles cercaram a reportagem para narrar os crimes. Primeiro, mostraram roupas de Igor Góes e Lucas, vulgo Aliado, que morreram na noite anterior. As peças estavam em um saco de lixo, cheia de sangue seco, e foram deixadas para trás pela perícia. Eles também contaram que precisam sair das ruas antes das 20h, "porque a Rota vai matar quem ficar". Ao descrever o crime, visto pelo irmão de um deles, uma criança narrou a chegada de um encapuzado numa moto, que teria pedido para os jovens jogarem a droga fora. Ambos apanharam e depois foram assassinados. "Um deles não devia", explica um menino, para ressaltar que a vítima não tinha antecedente criminal. / BRUNO PAES MANSO

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