Em 3 horas, grupo dispara mais de 50 tiros e mata oito pessoas em Osasco

Bandidos aproveitaram rojões da festa palmeirense para atacar em 6 locais; em todo o mês de julho de 2011, cidade vizinha teve 6 mortes

FELIPE TAU, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2012 | 03h05

Em menos de três horas, oito pessoas, algumas sem ficha criminal, foram executadas em Osasco, cidade vizinha a São Paulo. Um grupo aproveitou o barulhos dos rojões da festa palmeirense pela vitória na Copa do Brasil para fazer pelo menos seis ataques.

Os casos aconteceram entre 1h27 e 4h20 em seis ruas de quatro bairros vizinhos da cidade: Jardins Mutinga, Canaã, Munhoz Júnior e Rochdale. De acordo com o delegado Mauro Guimarães Soares, responsável pela Delegacia Seccional de Osasco, características similares dos suspeitos foram citadas pelas duas vítimas sobreviventes e pelas testemunhas já ouvidas. O crime coube a homens a bordo de um carro popular e de uma moto esportiva de alta cilindrada.

"A gente presume que sejam os mesmos autores (dos crimes), pelo horário que eles aconteceram, pela proximidade entre os bairros e pelo modus operandi. Seriam um grupo ou dois grupos em combinação", disse Soares.

A investigação está a cargo do Setor de Homicídios de Osasco. Uma equipe de investigadores percorreu cada um dos pontos recolhendo relatos. Na Rua Jade, por exemplo, as imagens da câmera de segurança de uma escola, com gravação 24 horas, foram solicitadas.

Motivação. A hipótese de que tenha sido um acerto de contas ou uma briga de quadrilha, segundo o delegado, também não está descartada. Dos dez homens baleados, cinco tinham passagem pela polícia - por roubo, assalto, ameaça, entre outros crimes - e alguns, de acordo com familiares, usavam drogas. Os crimes ocorreram na frente de bares ou de pontos de venda de drogas, de acordo com a polícia.

Na ação, foram dados mais de 50 disparos, com pistolas de calibre 380 e 0.45. Cada vítima levou pelo menos seis tiros. Revólveres também podem ter sido usados, mas, como não deixam cápsulas, suas balas só poderão ser identificadas após perícia.

Sem explicação. Adriano Barbosa da Silva, de 25 anos, levou o maior número de tiros: 12, na frente de uma mercearia na Rua Jade.

Ele é um dos mortos que não têm passagens pela polícia. O morador de um sobrado na frente disse conhecer o rapaz, mas informou que ele não costumava frequentar a rua. Estaria passando quando foi atacado.

"Ouvi os disparos e, quando cheguei perto da porta, vi um corpo caído no chão", disse o morador. "Em 36 anos, isso nunca tinha acontecido aqui, é uma rua bem tranquila", afirmou.

Em julho do ano passado, seis pessoas foram vítimas de homicídio em Osasco, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Ao longo de todo o ano passado ocorreram, em média, 6,2 homicídios por mês na cidade.

Briga de torcida. Ainda durante a madrugada, os homicídios chegaram a ser atribuídos pela Polícia Militar a uma retaliação a torcedores do Palmeiras, por causa da vitória do time na Copa do Brasil. No início da manhã, porém, a própria PM corrigiu a informação.

Rosana Cardoso de Godoy, de 25 anos, irmã de Robson Cardoso de Godoy, de 22, um dos assassinados, conta que o irmão, torcedor do São Paulo, era usuário de drogas há cerca de cinco anos. Ele morreu na Rua Cuiabá. "Ele usava cocaína, mas nunca fez mal a ninguém", ressaltou a irmã. / COLABORARAM GHEISA LESSA e RICARDO VALOTA

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