Em 3 horas, grupo dispara mais de 40 tiros e mata oito pessoas em Osasco

Bandidos aproveitaram rojões da festa palmeirense para atacar em 6 locais; em todo o mês de julho de 2011, cidade vizinha teve 6 mortes

FELIPE TAU, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2012 | 03h05

Em menos de três horas, oito pessoas - a maioria sem passagem policial por crimes graves - foram executadas em Osasco, cidade vizinha a São Paulo. Um grupo aproveitou o barulho dos rojões da festa palmeirense pela vitória na Copa do Brasil para fazer pelo menos seis ataques.

Os casos aconteceram entre 1h27 e 4h20 em seis ruas de quatro bairros vizinhos da cidade: os Jardins Mutinga, Canaã, Munhoz Júnior e Rochdale. De acordo com o delegado Mauro Guimarães Soares, responsável pela Delegacia Seccional de Osasco, características similares dos suspeitos foram citadas pelas duas vítimas sobreviventes e por testemunhas já ouvidas. Mesmo ferido, um dos sobreviventes, formado em Ciências Contábeis, foi quem ligou para a polícia.

O crime foi cometido por homens em um carro (Palio ou Corsa) e uma moto esportiva de alta cilindrada. "A gente presume que sejam os mesmos autores (dos crimes), pelo horário que eles aconteceram, pela proximidade entre os bairros (de até 5 minutos) e pelo modus operandi. Pode ter sido um grupo ou dois grupos em combinação", disse Soares.

A investigação está a cargo do Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa de Osasco. Uma equipe já percorreu cada um dos pontos. Na Rua Jade, foram solicitadas imagens da câmera de segurança de uma escola, com gravação 24 horas.

Motivação. Ainda durante a madrugada, os homicídios chegaram a ser atribuídos pela Polícia Militar a uma retaliação a torcedores do Palmeiras, por causa da vitória na Copa do Brasil. No início da manhã, porém, a própria PM corrigiu a informação.

A hipótese de que tenha sido um acerto de contas ou uma briga de quadrilha, segundo o delegado, não está descartada. Dos dez homens baleados, alguns usavam drogas, de acordo com os próprios familiares - os crimes ocorreram na frente de bares ou pontos de venda de drogas, de acordo com a polícia.

Rosana Cardoso de Godoy, de 25 anos, irmã de Robson Cardoso de Godoy, de 22, um dos assassinados, conta que o irmão era usuário de drogas desde 2007. "Usava cocaína, mas nunca fez mal a ninguém", ressaltou.

Nas ações, foram dados mais de 40 disparos, com pistolas de calibre 380 e 0.45. Cada vítima levou, em média, quatro tiros. Revólveres também podem ter sido usados, mas, como não deixam cápsulas, suas balas só poderão ser identificadas após perícia. Adriano Barbosa da Silva, de 25 anos, levou o maior número de tiros: 12, na frente de uma mercearia na Rua Jade.

Ele é um dos mortos que não têm passagens pela polícia. O morador de um sobrado na frente disse conhecer o rapaz, mas informou que ele não costumava frequentar a rua. Estaria passando quando foi atacado. "Ouvi os disparos e, quando cheguei perto da porta, vi um corpo caído no chão. Em 36 anos, isso nunca tinha acontecido aqui, é uma rua bem tranquila."

Já a família de Marcelo Longarini, funcionário de uma biblioteca da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), estava desesperada. Ninguém conseguia imaginar o que ocorreu.

Em julho do ano passado, seis pessoas foram assassinadas em Osasco. Ao longo de 2011, houve média de 6,2 homicídios por mês na cidade. / COLABORARAM CAMILLA HADDAD, GHEISA LESSA e RICARDO VALOTA

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