Em 11 meses, 106 policiais foram mortos por bandidos no Estado

Ataques contra soldados ficaram mais intensos após ação da Rota no Parque Tiquatira, na Penha, zona leste de SP

O Estado de S.Paulo

28 Dezembro 2012 | 02h05

O número de policiais militares mortos em 2012 chegou a 106, com a morte do cabo Luís Antonio da Silva, de 46 anos, anteontem, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, e igualou ao de 2006. Naquele ano, porém, foram 29 PMs mortos em serviço, de acordo os dados oficiais.

Os ataques contra PMs se intensificaram este ano após a ação da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) em um lava-rápido nas proximidades do Parque Tiquatira, na Penha, na zona leste de São Paulo, que terminou com seis suspeitos mortos no fim de maio. Eles eram integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo a polícia.

Desde então, os policiais se tornaram alvo do crime organizado, principalmente durante as folgas. Cartas apreendidas pela polícia em operações realizadas na capital e na Grande São Paulo mostraram que, em 8 de agosto, a cúpula do PCC determinou a morte de dois PMs para cada integrante da facção executado por policiais. Listas com nomes, endereços e hábitos de PMs marcados para morrer também foram encontradas. Interceptações telefônicas flagraram os criminosos se articulando para executar os PMs. Um dos casos terminou com a morte do soldado Flavio Adriano do Carmo, de 45 anos, na zona sul. O empresário Leandro Rafael Pereira da Silva, de 28 anos, o Leo Gordão, foi preso sob a acusação de ter participado do assassinato - ele também teria matado outro PM, Renato Ferreira da Silva Santos. Segundo a polícia, era um dos líderes do PCC na zona sul.

Como resposta aos ataques a PMs, o governo estadual acertou a transferência de lideranças da facção para presídios federais. Entre eles estão Francisco Antonio Cesário da Silva, o Piauí, e Roberto Soriano, o Beto Tiriça, enviados do interior paulista para o Presídio Federal de Segurança Máxima de Porto Velho (RO). Ambos também foram acusados de ordenar a morte de policiais.

Guerra. Para o especialista em segurança pública Guaracy Mingardi, houve uma "disputa velada" entre pessoas relacionadas ao PCC e grupos ligados aos policiais, o que gerou a onda de ataques contra integrantes da corporação. "Ocorreu por causa de uma omissão das autoridades responsáveis por controlar isso. Quando morreu o primeiro policial, tinham que dar prioridade a essa investigação. Quando um policial morre, tem mais repercussão. Não poderia deixar as coisas caírem na lógica do crime comum", afirma.

Segundo Mingardi, uma resposta rápida evitaria que policiais ou grupos ligados a eles tomassem a iniciativa de fazer "justiça com as próprias mãos". "Morreriam menos policiais e também menos gente pelas mãos de grupos de extermínio, que começaram a retaliar. Não adianta esconder o sol com peneira", disse./W.C.

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