Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

'Ele se sentia inferiorizado em relação à mulher', diz perito em júri de Farah

Nesta terça, foram ouvidas parte das 16 testemunhas arroladas pela defesa e pela acusação

Luciano Bottini Filho, O Estado de S. Paulo

13 Maio 2014 | 22h35

SÃO PAULO - Os peritos responsáveis pelo laudo que provocou a anulação do júri, no qual o ex-cirurgião Farah Jorge Farah foi condenado a 13 anos de prisão, voltaram a ser ouvidos nesta terça-feira, 13, no segundo dia do novo julgamento. Dois psiquiatras do Instituto de Medicina Social e de Criminologia (Imesc) de São Paulo confirmaram nesta tarde que o réu, acusado de ter matado e esquartejado uma paciente em 2003, tinha problemas de personalidade que o levaram ao crime, apesar de ele não ser louco.

"Ele se sentia inferiorizado em relação à mulher", disse aos jurados o psiquiatra Marco Antonio da Silva Beltrão. Segundo ele, o acusado sofre de uma "personalidade limítrofe", com características que faziam com que ele, diante da situação, "não pudesse agir de uma forma diferente da forma que agiu".

A defesa sustenta que Farah era perseguido pela paciente e, no momento do assassinato, ficou com a consciência ausente por cerca de 12 horas. O laudo do Imesc foi feito em um incidente de insanidade mental, a pedido do juiz do caso. Em janeiro do ano passado, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) mandou refazer o júri porque essa prova havia sido desconsiderada no julgamento realizado em 2008.

Psicanalista, Beltrão entrou em detalhes psicológicos da mente de Farah. "Havia uma figura materna - uma poderosa mãe fálica - e um pai com uma posição ausente." O médico diz que o réu não teria a mesma atitude contra um homem.

A psiquiatra Hilda Clotilde Penteado Morana explicou as conclusões que teve com testes psicológicos aplicados no réu. Ela analisou o padrão das respostas que o ex-cirurgião deu ao olhar desenhos em pranchas, com formatos simétricos. "Quando ele sente uma aflição muito intensa, ele se descontrola", disse Hilda, que descreveu o réu como uma pessoa "instável" e "que sofria demais".

Acusação. A acusação utiliza um outro lado, elaborado pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), elaborado no processo que cassou a licença para Farah exercer a profissão. Dois médicos que participaram da junta que analisou o réu foram testemunhas da Promotoria na segunda-feira. Ambos descreveram Farah como um ser humano com personalidade "dramática" e descartaram que ele possa sofrer de um problema mental ou estivesse incapaz quando cometeu o crime.

O julgamento de Farah deverá terminar até a quinta-feira. Nesta terça, foram ouvidas parte das 16 testemunhas arroladas pela defesa e acusação. A previsão é que o interrogatório do réu seja feito na quarta-feira.

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