Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

‘É uma criança’, diz mãe de acusado

Adolescente de 14 anos é suspeito de ter violentado colega de 12 dentro de escola; menino foi retirado de bairro por medo de violência

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

23 Maio 2015 | 17h04

“Eu me colocaria no lugar dele para não ver meu filho dentro de uma Fundação Casa. Na rua, ele já foi chamado de estuprador”, afirmou a mãe de um dos adolescentes suspeitos de ter participado do ataque a uma estudante de 12 anos, no dia 12 deste mês, em uma escola no Jardim Miriam, zona sul de São Paulo. 

Com aparência de criança, o menino de 14 anos foi apontado pelo adolescente que confessou o crime como sendo o responsável por segurar a menina pelas mãos, dentro de uma cabine do banheiro masculino da Escola Estadual Leonor Quadros. Segundo a Polícia Civil, todos a estupraram.

Ao Estado, a mãe disse que o primogênito entre os seis filhos é inocente e estava na secretaria da escola, por volta das 16 horas daquela terça-feira, horário em que a estudante da 7.ª série do ensino fundamental diz ter sido violentada. 

“Ele é uma criança, faz algumas coisas erradas, como cabular aula, mas nunca teria atacado a menina”, afirmou a mãe. Ela contou que o rapaz tinha sido levado para a secretaria da escola porque quebrou algumas lâmpadas. Procurada, a Secretaria Estadual de Educação disse que todas as informações estão sob a responsabilidade da polícia. 

Segundo a mãe, o garoto foi levado para outra região de São Paulo para ter segurança. “Aqui é periferia, algumas pessoas já sabem e temos medo de que ele possa sofrer algum tipo de violência”, disse a mulher, que faz bicos de faxineira. 

Ela disse que o filho só foi ao banheiro porque ficou “curioso” com o barulho. “Ele entrou para ver o que estava acontecendo. Na verdade, ele ajudou a menina depois que ela foi atacada. Ele jamais machucaria alguém da forma como estão falando.” 

De acordo com a mulher, o filho gosta de brincar na rua e jogar futebol às quintas com amigos. Nos fins de semana, ele faz entregas de marmita para ganhar R$ 40 por dia. O dinheiro, segundo ela, é dividido com a mãe e com os irmãos. “Ele me dá metade do dinheiro, às vezes um pouco mais, porque entende a dificuldade que eu tenho para cuidar dele e dos irmãos.”

O que sobra para o estudante do 7.º ano do ensino fundamental é usado para comprar sorvete e salgadinho. “Até nisso ele ainda é uma criança. Ele não quer comprar tênis nem roupa como os outros meninos.” 

O rapaz perdeu o pai quando tinha 3 anos. Ele morreu afogado em um sítio em Atibaia. Segundo a mãe, o jovem foi criado pelo padrasto - pai de todos seus irmãos -, avô e padrinho. 

Desespero. Desde que o caso veio à tona, o adolescente tem crises de choro e, segundo a mãe, está “desesperado” para provar que é virgem. “Já fomos a consultórios de urologia, mas disseram que não dá para fazer esse tipo de exame. Eu acho que é preconceito, porque desconfiam que foi ele quem estuprou a menina.” 

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